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PEGADA HÍDRICA – 2ª PARTE

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A família das pegadas é o conjunto de indicadores que mensuram a relação entre o consumo e o equilíbrio ambiental. Existem três tipos de pegada:

Pegada hídrica: refere-se ao volume de água utilizado para a produção dos alimentos e dos demais produtos consumidos pelos seres humanos.

Pegada ecológica: refere-se à capacidade do planeta Terra de responder às demandas dos seres humanos por bens e recursos e se recuperar posteriormente.

Pegada de carbono: refere-se ao volume de gases do efeito estufa, como o próprio dióxido de carbono (CO2), emitido durante as atividades humanas realizadas todos os dias, o que inclui a produção de bens e serviços, mas não se restringe a ela.

No que se refere à Pegada Hídrica, empresas de genética estão focadas em linhagens que convertem alimento em peso corporal de forma mais eficiente, o que, também, melhora o uso de água relacionado à alimentação e saúde animal.

Rastreabilidade Ambiental – Padrão Internacional

No que diz respeito às exigências do mercado, exportadores (Europa, Ásia) aderem a padrões de ESG Environmental (Ambiental), Social e Governance (Governança), referente a informações sobre o uso de recursos em toda a cadeia produtiva, significando dizer transparência e rastreabilidade na avicultura global.

Assim é que, tecnologias, como Internet das coisas e sensoriamento inteligente permitem, inclusive, a coleta de dados sobre consumo de água, melhorando o monitoramento ambiental e a rastreabilidade.

Leia Também:  Tratamento de efluentes: fossa séptica + filtro anaeróbio + sumidouro

Também, Sistemas de Certificação Ambiental e normas (ISO, GRI) estão presentes em grandes atividades avícolas, melhorando o monitoramento ambiental e facilitando a rastreabilidade.

Reuso e Tratamento de Efluentes

A indústria tem adotado métodos como ultrafiltração, nanofiltração e osmose reversa para tratar e reutilizar água de processos, inclusive transformando efluentes em água reutilizável para outras etapas.

Em fábricas modernas, a água usada em lavagem e outros processos, pode ser recirculada internamente, reduzindo a necessidade de água nova de 30 a 45%.

Empresas brasileiras já investem em tratamento de efluentes, com melhoria de remoção de contaminantes como, por exemplo, Demanda Bioquímica de Oxigênio -DBO, acima de 80%, garantindo que a água devolvida ao meio ambiente seja mais limpa.

Alguns sistemas convertem resíduos em produtos úteis, tais como, fertilizantes, diminuindo, por conseguinte, o impacto ambiental.

Práticas Comuns

Lagoas simples de estabilização, ou lagoas australianas (anaeróbia+aeróbia), ainda são usadas em pequenas e médias propriedades, reduzindo a carga orgânica antes do descarte.

Biodigestores, transformam resíduos em gás, reduzindo o impacto ambiental e gerando energia.

Reuso Para Fertirrigação

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, estabelece diretrizes para lançamento e reuso de efluentes, sendo a água tratada utilizada em pastagens, ou lavouras.

Como resultado, ocorre a economia de água nova; redução de custos com energia e melhor adequação ambiental.

Uso e Tratamento de Efluentes de Abatedouros Avícolas

Leia Também:  PEGADA HÍDRICA – 1ª PARTE

A água residuária produzida nos abatedouros precisa passar por tratamentos devidos, que devem ser cumpridos segundo a lei.

O objetivo dos tratamentos é promover a maior redução possível do impacto ambiental gerado pelos resíduos. Como a redução total é quase impossível, as técnicas conseguem diminuir os danos até 90%, dependendo do tratamento, evitando a poluição dos cursos d’água.

Diferença entre pequenos e grandes abatedouros

Pequeno/Médio

Grande/Integrado

Lagoas simples, ou lagoas australianas de tratamento

Estações industriais completas (Lodos Ativados, por exemplo)

Controle manual

Monitoramento digital em tempo real

Investimento limitado

Metas ESG e certificações internacionais

Rastreabilidade Ambiental

O que já está acontecendo:

Monitoramento digital

  • Sensores de consumo de água e ração.

  • Controle automatizado de temperatura e ventilação.

Padrão do mercado externo

  • União Europeia exige comprovação ambiental.

  • Exportadoras precisam apresentar indicadores ESG.

Resultado

  • Maior controle de indicadores.

  • Valorização do produto no mercado externo.

  • Redução de risco regulatório.

Tendência para os próximos anos no Brasil

  • Maior integração entre eficiência hídrica e crédito rural;

  • Incentivos para energia renovável (biogás);

  • Digitalização crescente, até mesmo em propriedades médias;

  • Pressão crescente para redução da pegada hídrica por kg produzido.

Emilio Mouchrek – Engenheiro Agrônomo, Vice-Presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos (SMEA)

Maurício Fernandes – Engenheiro Civil, Consultor – Gestão de Obras

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