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ANTÔNIO PRADO

O que podemos aprender com o Sri Lanka?

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O Sri Lanka, chamado também de República Democrática Socialista do Sri Lanka, é um país insular do continente asiático situado ao sul da Índia. Banhado pelo oceano Índico, dispõe de clima tropical de monções e relevo montanhoso no interior e suave na costa. O Sri Lanka conta atualmente com 21,4 milhões de habitantes, num território de 65 mil km2, pouco maior do que o Estado da Paraíba e com uma população equivalente ao Estado de Minas Gerais. Possui uma alta densidade demográfica com mais de 342 hab./km2, dos quais somente 19% vivem nas cidades. Por quase duas décadas, entre 1983 e 2009, o país esteve imerso em uma guerra civil que devastou o país tanto social como economicamente.

Um país que tem 20% do PIB na produção agrícola e quase 80% da população vive na área rural. Destaca-se na produção de seringueira, coco, arroz e chá. Até início dos anos 90 era o maior exportador de chá do mundo, e com o início da guerra civil as companhias Inglesas que atuavam no mercado acabaram saindo da operação.

O país vinha de uma situação pós-guerra civil de recuperação e tinha conseguido melhorar a qualidade de vida da população que em 2000 tinha 17% de desnutridos e em 2019 este número tinha caído drasticamente para 7%, tirando mais de 2 milhões de pessoas da fome.

A economia caiu fortemente por conta da pandemia e a receita do turismo despencou. País com tradição de governos envolvidos em corrupção, via sua economia ruir rapidamente.

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Porém em 2021 o presidente Rajapaska, tomou a decisão de proibir a importação de fertilizantes e defensivos agrícolas para o país. De acordo com a sua plataforma de governo estava disposto a tornar o Sri Lanka um país de agricultura 100% orgânica.

Com esta proibição o governo do Sri Lanka poderia reduzir os gastos com importação de fertilizantes e agroquímicos em mais de U$ 400 milhões e com isso melhorar a condição financeira do país. Logo após o governo tomar posse, concelhos foram criados para implantação desta nova política de agricultura orgânica e agrônomos e outros cientistas foram descartados, mostrando mais uma vez que a decisão para esta troca tinha um grande apelo ideológico.

O que aconteceu diante desta decisão foi uma queda brusca de produção de arroz em 20%, fazendo o país importar arroz para suprir a necessidade de consumo da população investindo mais de U$ 450 milhões. Além disso o Chá o maior produto de exportação teve uma queda de 18%. O Governo preciso injetar milhões de dólares para subsidiar produtores a recuperar as perdas ocorridas depois deste desastre. Depois de 5 meses com a política de 100% orgânico o governo volta atras, mas já era tarde e o estrago já estava realizado.

A agricultura depende de CO2, luz solar, água e nutrientes. Os três primeiros insumos são difíceis de controlar, talvez somente água com a irrigação. Na verdade, a humanidade foi crescendo ao longo do tempo, antes dos fertilizantes, com a abertura de novas áreas que eram incorporadas ao sistema produtivo com os nutrientes que naturalmente estavam no solo. A adubação com fertilizantes tornou as áreas mais produtivas, já que repunham os nutrientes que são exportados nos grãos e nas fibras. Assim é importante entender que para se produzir mais na mesma área agrícola sem a necessidade de incorporação de novas terras, os fertilizantes passam a ser fundamentais para este fim.

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A agricultura orgânica atende hoje duas populações que estão em extremidades opostas. A primeira são mais de 700 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza e que depende do que tem no solo para produzir a sua subsistência e do outro lado estão os mais abastados que podem pagar por um produto orgânico cinco vezes mais do que um produto convencional.

A experiencia desastrosa do Sri Lanka mostra que decisões ideológicas e sem entender a ciência que esta por trás da agricultura moderna só tem a encarecer os produtos agrícolas. Hoje a tecnologia empregada na agricultura e pecuária evoluíram muito, são produtos mais eficientes, mais sustentáveis, mais baratos e que podem conduzir uma agricultura que terá condições de alimentar mais de 10 bilhões de pessoas com qualidade e sustentabilidade.

Esta lição é importante pois a cadeia do agronegócio é complexa, longa, diversa e ramificada. Alterações abruptas e sem profunda avaliação previa, podem desencadear um estrago gigante e muito difícil de reverter. Vamos em Frente!!!

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