O mês de outubro começou com um evento de grande repercussão mundial: o shutdown do governo dos Estados Unidos. A paralisação teve início em 1º de outubro, após o Congresso norte-americano não aprovar o orçamento federal para o novo ano fiscal. O impasse político entre republicanos e democratas, centrado em cortes de gastos e no aumento do teto da dívida, levou à suspensão parcial das atividades governamentais. Como consequência, milhares de servidores foram afastados e órgãos fundamentais, como o Bureau of Labor Statistics (BLS) e o Bureau of Economic Analysis (BEA), interromperam suas operações.
Essa interrupção afeta diretamente a divulgação de dados essenciais sobre inflação, PIB e desemprego, informações cruciais para o acompanhamento da economia global. Para o setor aeroagrícola, o impacto é imediato: o IAVAG (Índice de Inflação da Aviação Agrícola) depende de indicadores internacionais, como a inflação americana e a variação cambial, para calcular os custos médios de operação. A falta temporária desses dados aumenta a incerteza sobre os rumos da política monetária dos Estados Unidos, eleva a volatilidade cambial e pode distorcer as projeções de preços de combustíveis e insumos utilizados no Brasil.
Cenário Internacional: incerteza e cautela
O dólar segue em leve desvalorização frente ao real, cotado a R$ 5,46, reflexo da expectativa de cortes de juros nos EUA. O Federal Reserve iniciou um ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo a taxa básica para o intervalo de 4,00% a 4,25% ao ano. A inflação americana, entretanto, continua acima da meta. Em agosto, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,4%, acumulando alta de 2,9% em 12 meses, resultado influenciado por alimentos, energia e habitação.
Mesmo com juros elevados, a economia norte-americana demonstra resiliência. O PIB do segundo trimestre foi revisado para 3,8%, impulsionado pelo consumo das famílias e pela redução das importações. A taxa de desemprego subiu para 4,3%, sugerindo leve desaceleração no mercado de trabalho, mas sem sinais de recessão no curto prazo.
Economia Brasileira: estabilidade com juros altos
No Brasil, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, adotando uma postura de cautela diante do cenário internacional incerto. O PIB nacional cresceu 0,4% no segundo trimestre e 2,2% na comparação anual, com destaque para os setores de serviços e agropecuária. A taxa de desemprego recuou para 5,8%, o menor nível desde 2012, confirmando a retomada gradual da atividade econômica.
O INPC de setembro registrou alta de 0,52%, acumulando 5,10% em 12 meses. O avanço reflete aumentos em habitação e vestuário, compensados por queda nos alimentos e bebidas. Esse comportamento reforça a pressão sobre o custo operacional interno, mantendo o IAVAG sensível a fatores domésticos e externos.
Commodities e Energia
No mercado internacional, o petróleo Brent foi cotado a US$ 62,41 por barril (alta de 0,03%), enquanto o WTI fechou em US$ 58,80 (alta de 0,18%). O heating oil apresentou leve recuo de 0,10%, sendo negociado a US$ 2,20 por galão. Já o etanol anidro em São Paulo teve queda de 0,36%, fechando a R$ 3,11 por litro, segundo o CEPEA/ESALQ.
IAVAG: deflação moderada, mas incertezas persistem
O IAVAG registrou deflação de 1,29% em agosto, acumulando 2,52% em 12 meses. A redução do dólar e do heating oil foi determinante para esse recuo, trazendo alívio pontual aos custos da aviação agrícola. Ainda assim, as incertezas externas, somadas às variações cambiais e energéticas, podem alterar o comportamento do índice nos próximos meses.
O resultado do IAVAG de setembro será divulgado no final de outubro e deve refletir o impacto do shutdown e das oscilações no cenário internacional. Em meio à instabilidade global, a prudência permanece essencial para a gestão de custos e planejamento do setor aeroagrícola brasileiro.
CLÁUDIO JÚNIOR OLIVEIRA – Economista, Administrador e Tecnólogo em Marketing, mestre em Inovação, doutor em Administração e Diretor Operacional do SINDAG.
















