Após a venda ao comerciante dos produtos, começa outra etapa que é negligenciada pelos produtores, pois foge do seu controle. Porém, deve ser tratada com muito carinho, porque o próximo pedido depende do consumidor do seu produto, mesmo que tenha sido implantado, através da Inteligência Artificial (IA), o sistema de controle dos processos e qualidade.
- Inteligência de Dados e Rastreabilidade no Ponto de Venda (PDV)
A jornada para aumentar o consumo começa no ambiente, onde a decisão de compra é tomada. Se a IA já otimiza a produção dentro da granja, sua extensão lógica é o Trade Marketing Digital, que consiste em aumentar a visibilidade; disponibilidade e venda dos produtos, garantido maior interesse do consumidor final.
1.1 Inteligência de Dados Aplicada
O uso de algoritmos de IA no varejo, permite que o produtor não seja apenas fornecedor, e, sim, parceiro estratégico do supermercado, destacando-se:
- Precificação Dinâmica: Diferente das proteínas bovina e suína, que possuem ciclos de preço mais lentos, a avicultura tech pode ajustar preços, em tempo real, com base na demanda local e no shelf-life (vida útil), reduzindo o desperdício e mantendo expressiva competitividade.
- Visão Computacional: O uso de câmeras e sensores no PDV, permite analisar o fluxo de clientes. Isso garante que o produto esteja no “nível dos olhos” e que a reposição seja feita de forma preditiva, evitando a falta de estoque.
1.2 Transparência via QR Code (Rastreabilidade)
O consumidor contemporâneo não compra somente o produto. Ele compra, também, o processo. A conformidade ambiental e o bem-estar animal tornam-se visíveis através da Narrativa de Valor, conexão de benefícios de produto; serviço, ou marca, às necessidades do cliente, diferenciando da concorrência.
Assim, tem-se:
- Ao escanear a embalagem, o cliente acessa a jornada da ave.
- Dados de monitoramento térmico via IA, provam a ausência de estresse, durante a criação.
- Essa “janela digital” justifica preço premium, transformando a tecnologia em selo de ética e confiança.
2: Conveniência; Saúde e a Campanha “Ciclo da Vida”
Para expandir o consumo, é necessário reduzir a diferença, entre a gôndola e o prato, focando na praticidade e na saudabilidade superior do frango tecnológico.
2.1 Foco na Conveniência “Ready-to-Eat”
O frango deve ser posicionado como a solução de proteína mais prática do mercado.
Em consequência, tem-se:
- Cortes Segmentados: Substituição do “peito inteiro”, por soluções como tiras marinadas; cubos otimizados para Air Fryer e filés com temperos naturais.
- Instruções de Velocidade: Embalagens que destacam o tempo de preparo (ex: “Pronto em 12 minutos”), apelando diretamente para o consumidor urbano, que não dispõe de tempo, inclusive para alimentação.
2.2 Campanha: “Tecnologia que Respeita o Ciclo da Vida”
Esta campanha humaniza a IA mostrando que o algoritmo é o guardião da natureza.
Cabe citar:
- Selo de Confiança: O significado “Do Clique à Granja”, é o atendimento aos conceitos de sustentabilidade, que mostra a economia real de água e a baixa “pegada” de carbono.
- Narrativa Visual: Vídeos rápidos (Reels/TikTok), mostram a economia circular (resíduos transformados em biofertilizantes) e a IA – como, por exemplo, – ajustando a ventilação para o conforto das aves.
- Eco-Influencers: Parcerias para promover o “Desafio da Proteína de Baixo Impacto”, focando no consumo ético e preservando o sabor.
3: Diferenciação Estratégica e Design de Embalagem
A diferenciação é o antídoto para a guerra de preços. Quando o produto está na gôndola, ele deve se destacar, visual e conceitualmente, das marcas genéricas, mencionando-se:
3.1 Design “Clean Label” e Sustentável
A embalagem é o primeiro contato físico. Para diferenciar, deve-se considerar os seguintes aspectos:
- Suporte Físico: Substituir o isopor, por bandejas de papelão biodegradável, ou plástico verde.
- Estética Minimalista: Rótulos com cores que remetam à tecnologia e natureza (verde; azul e branco), fugindo dos tons agressivos do varejo tradicional.
- Janelas de Transparência: Foco visual no produto, acompanhado da frase: “Criado com Monitoramento de Bem-Estar, via Inteligência Artificial – IA”.
3.2 O “Pulo do Gato”: Selos de Ética e Precisão
A criação de ícones exclusivos eleva a percepção de valor, isto é:
- IA-Checked: Garantia de ambiência monitorada por 24 horas.
- Carbono Auditado: Exposição da eficiência logística e produtiva, como vantagem ambiental competitiva.
- Argumento Nutricional: Uso de “stoppers” (alertas) na gôndola, que convidam o cliente a comparar os níveis de sódio e gordura saturada, por exemplo, destacando a estabilidade nutricional permitida pela precisão da IA.
4: Educação Culinária e a Experiência “Phygital”
A etapa final, para consolidar o aumento do consumo, é garantir que o cliente saiba preparar o produto e se sinta parte dessa comunidade tecnológica.
4.1 Educação Culinária e Omnichannel
Muitas vezes, o consumo estabiliza, por falta de alternativas do cliente, considerando-se:
- Marketing de Conteúdo: Ensinar preparos que fogem do óbvio, quais sejam, frango defumado; culinária tailandesa; recheados premium, dentre outros.
- Integração IA-Varejo: No e-commerce do supermercado, a IA pode sugerir acompanhamentos automáticos (legumes, vinhos), assim que o frango é adicionado ao carrinho, elevando o ticket médio.
4.2 Experiência “Phygital” (Físico + Digital)
A interação não termina na compra. Através da gamificação, o cliente pode “visitar” a granja digitalmente, ou ganhar pontos/descontos, ao comprovar que está consumindo proteína sustentável. Isso cria conexão emocional, que marcas focadas, apenas em preço, jamais conseguirão replicar.
Conclusão: De “Quilos de Carne” para “Soluções de Vida”
O produtor deve mudar seu paradigma de vendas, levando em conta que:
- A IA, na produção, garante qualidade e segurança.
- A IA, no mercado, garante venda e recorrência.
Ao vender solução de refeição saudável; ética e tecnologicamente rastreável, o produtor deixa de competir, por centavos, e passa a liderar novo segmento de mercado, voltado para a longevidade e o respeito ambiental.
Engenheiro Agrônomo Emílio Mouchrek – Vice-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos (SMEA)
Maurício Fernandes da Costa – Engenheiro Civil, Consultor – Gestão de Obras















