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Cálculo bovino que vale mais que ouro ganha acesso ao mercado chinês

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Brasil e China assinaram na quium protocolo sanitário que abre caminho para a exportação brasileira de cálculo biliar bovino, produto raro que pode valer mais que ouro. O país responde por aproximadamente 40% da oferta mundial e poderá vender diretamente para o principal mercado consumidor desse insumo.

O cálculo é uma formação natural encontrada na vesícula ou nos ductos biliares de apenas 1% a 2% dos bovinos, principalmente animais mais velhos. É composto por substâncias presentes na bile, como bilirrubina, ácidos biliares e colesterol, e utilizado há mais de 2 mil anos em fórmulas da medicina tradicional chinesa.

A retirada ocorre no frigorífico, depois do abate e durante o processamento das vísceras. A vesícula é aberta, a bile é filtrada e os cálculos são separados, limpos e secos em ambiente controlado. O processo pode levar até três semanas. Cor, tamanho, integridade, concentração de bilirrubina e qualidade da secagem determinam o valor comercial.

O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que sejam necessários cerca de 200 mil abates para a obtenção de um quilo de material natural com qualidade farmacêutica. Nem todo cálculo encontrado pode ser aproveitado, uma vez que peças quebradas, contaminadas, mofadas ou mal conservadas perdem valor.

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O produto não possui cotação internacional padronizada. Em 2024, entretanto, o preço chegou ao equivalente a R$ 1,23 milhão por quilo no mercado chinês. Na sexta-feira (24), o ouro puro estava cotado em aproximadamente R$ 664 mil por quilo. No pico registrado, portanto, o cálculo biliar bovino custava cerca de 85% mais que o metal precioso.

O Brasil possui aproximadamente 238,2 milhões de bovinos e abateu o recorde de 42,94 milhões de animais sob inspeção sanitária em 2025. Estimativas de mercado apontam uma produção nacional próxima de 2 toneladas anuais. Como o país representa cerca de 40% da oferta, a produção mundial estaria ao redor de 5 toneladas por ano. Não existe, porém, uma estatística internacional consolidada sobre esse mercado.

Além do Brasil, aparecem entre os principais produtores Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Chile, Estados Unidos e Austrália. A China demanda até 5 toneladas por ano, mas possui capacidade interna estimada em apenas 1 tonelada, o que explica a dependência das importações e a valorização do produto natural.

As exportações brasileiras declaradas de cálculo biliar cresceram de cerca de R$ 398 milhões em 2019 para R$ 1,37 bilhão em 2024. Até agora, Hong Kong funcionava como a principal porta de entrada do produto na Ásia. Argentina e Uruguai eram os únicos países autorizados a vender diretamente para a China continental.

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O protocolo estabelece regras de quarentena, sanidade, rastreabilidade, retirada, secagem, armazenamento e certificação. Os frigoríficos brasileiros ainda precisarão ser habilitados, e cada lote deverá atender às exigências da Farmacopeia Chinesa. A assinatura, portanto, abre o mercado, mas os primeiros embarques dependerão da conclusão dessas etapas.

Para a cadeia pecuária, o acordo cria uma oportunidade de agregar valor a um subproduto do abate que durante muitos anos foi descartado ou comercializado por canais indiretos. O desafio será organizar uma cadeia rastreável e segura em um mercado marcado por escassez, preços elevados e risco de adulteração.

Fonte: Pensar Agro

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