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GUERRA, INSUMOS CAROS E RISCO CLIMÁTICO: A SAFRA 26/27 SERÁ DECIDIDA NAS DECISÕES

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A guerra no Oriente Médio trouxe de volta ao centro das decisões do agronegócio um fator que muitas vezes parecia distante da porteira: a geopolítica como determinante direto de custo, logística e risco produtivo. E mesmo com sinais recentes de trégua, o impacto já está dado e será sentido ao longo de toda a safra 26/27.

A recente sinalização do Irã de que o Estreito de Ormuz estaria completamente aberto provocou uma reação imediata nos mercados internacionais, com uma queda expressiva do petróleo próxima de 15%. O movimento trouxe um alívio momentâneo, mas não altera o ponto central: o ambiente segue instável e sujeito a novos choques.

O Brasil é altamente dependente de insumos importados. Cerca de 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, o que expõe diretamente o produtor às oscilações globais. Em 2025, os fertilizantes consolidaram-se como um dos principais itens da pauta de importação brasileira, com um volume aproximado de US$ 15,5 bilhões. No topo da lista estão os óleos combustíveis, com cerca de US$ 15,6 bilhões, evidenciando o peso da energia e dos insumos na estrutura de custos do país.

Essa dependência externa não se limita aos fertilizantes. Os defensivos agrícolas também são majoritariamente importados, sobretudo da Índia e da China, o que amplia ainda mais a exposição do produtor brasileiro às oscilações cambiais, logísticas e geopolíticas. Em momentos de tensão global, além da alta de preços, cresce o risco de restrição de oferta e até falta de princípios ativos, comprometendo o planejamento fitossanitário das lavouras.

Mesmo com a recente queda do petróleo, os efeitos da crise já foram absorvidos pelo sistema. O custo logístico subiu, os preços dos fertilizantes permanecem pressionados e, principalmente, a previsibilidade desapareceu. E em um setor onde o planejamento é determinante, perder previsibilidade significa aumentar risco. O produtor brasileiro, diante desse cenário, enfrenta um dilema recorrente: comprar agora com preços elevados ou esperar uma acomodação. O problema é que essa espera, muitas vezes, resulta em concentração de demanda, gerando gargalos logísticos, atrasos nas entregas e risco real de desabastecimento no momento crítico da safra.

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Esse comportamento já foi observado em crises anteriores, como em 2008 e em 2022/23. E a lição permanece atual: o maior prejuízo não está apenas no preço alto, mas na combinação de preço elevado com falta de produto.

Mesmo com sinais de normalização no fluxo global de petróleo, o mercado continua operando sob tensão. Qualquer novo evento geopolítico pode rapidamente inverter a tendência e pressionar novamente os preços.

Dentro desse ambiente global adverso, surge um ponto de possível alívio doméstico. O governo brasileiro publicou recentemente regulamentação para subsídios ao diesel e ao gás importados, com potencial de reduzir em até R$ 1,20 por litro o preço do combustível. Caso esse benefício seja efetivamente repassado, pode haver redução relevante nos custos de transporte.

Isso pode destravar operações importantes no agro. Fretes mais acessíveis tendem a reativar movimentações que estavam represadas, facilitando a distribuição de insumos como fertilizantes e calcário e reduzindo parte da pressão logística acumulada. Ainda assim, é importante reforçar: essa medida ajuda, mas não elimina o risco estrutural, que continua sendo global.

Com o aumento expressivo dos custos de insumos, há um risco crescente de redução forçada do nível tecnológico das lavouras. Produtores podem diminuir doses de fertilizantes, postergar aplicações ou ajustar pacotes tecnológicos para tentar equilibrar caixa. Esse movimento, embora compreensível no curto prazo, pode gerar uma consequência relevante: queda de produtividade em escala global.

Se essa redução ocorrer de forma simultânea em grandes países produtores, o impacto pode ser significativo sobre os estoques mundiais. E é aqui que surge um possível ponto de inflexão. Caso a demanda global continue crescendo no ritmo observado nos últimos anos, impulsionada principalmente por Ásia e mercados emergentes e a produção enfrente algum nível de retração, o mundo pode entrar em um novo ciclo de alta das commodities agrícolas a partir de 2027.

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Sinais dessa dinâmica já começam a aparecer. Nos Estados Unidos, produtores que postergaram a compra de fertilizantes estão enfrentando custos mais elevados às vésperas do plantio. Esse movimento pode resultar em redução de adubação e, potencialmente, queda de produtividade, alterando a dinâmica de oferta já no segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027.

Em um ambiente de fertilizantes caros, aumentar a eficiência de uso desses insumos passa a ser determinante para a rentabilidade.  Com custo inferior a R$ 0,15 por quilo, o calcário se posiciona como o insumo de maior retorno dentro da porteira. Estudos indicam que, para cada R$ 1 investido, o produtor pode obter retorno de até R$ 4,00, principalmente pela melhoria na eficiência dos fertilizantes, especialmente os fosfatados. Em solos ácidos, grande parte do fósforo aplicado se torna indisponível. Sem correção adequada, o produtor perde eficiência. A calagem corrige o pH, melhora a disponibilidade de nutrientes, potencializa o desenvolvimento radicular e aumenta a resposta produtiva.

A construção de um perfil de solo bem corrigido funciona como um verdadeiro “seguro” contra veranicos, eventos mais frequentes no Centro-Norte do Brasil em anos de El Niño. Solos estruturados permitem maior infiltração de água, melhor retenção de umidade e maior profundidade radicular, reduzindo o impacto de períodos de estresse hídrico. O calcário deixa de ser apenas um insumo e passa a ser uma ferramenta estratégica de proteção da produtividade.

O erro mais caro nesta safra será tentar economizar onde há maior retorno. Postergar a correção do solo, ao mesmo tempo em que se utiliza fertilizantes de alto custo, compromete diretamente a eficiência produtiva e a margem do negócio. A safra 26/27 será marcada por um ambiente de elevada complexidade: geopolítica instável, insumos caros, logística pressionada e clima desafiador.

Nesse contexto, o diferencial competitivo não estará apenas na tecnologia empregada, mas na qualidade das decisões tomadas.

Porque, no final, mais do que nunca, a safra será decidida nas decisões.

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