Final de novembro, a área de soja recorde de 47,3 milhões de hectares divulgada pela CONAB deve estar finalizando. Um plantio que iniciou mais tarde do que de costume. Este ano em alguns Estados, mas principalmente no Mato Grosso, o vazio sanitário foi antecipado e finalizado em 6 de setembro. De 7/09 em diante já poderiam iniciar o plantio no Estado.
Acontece que as chuvas não ocorreram em setembro e o produtor que estava com a safra 23/24 na cabeça, segurou o plantio. Apenas para relembrar que o ano passado as chuvas só regularizaram na 2ª quinzena de dezembro e por isso, em algumas áreas foram necessários até três replantios.
Até o dia 27/09/24 o Brasil tinha plantado 2,36% da área prevista e o PR estava com 13,1%. Já em 4/10 o Brasil com 5,28% o MT com somente 1,6% o PR com 26,4%, MS com 5,4% e SP com 4,8%. Em 11/10 o Brasil com 9,3%, representando 4,3 milhões de hectares plantados, sendo 36,1% o ritmo no PR e somente 8,8% no MT. Na mesma época na safra de 2023 o Brasil já tinha plantado 17,4% ou seja, 8 milhões de hectares.
Depois de 11/10, com chuvas gerais os Estados que estavam segurando, começaram a plantar 24 horas por dia. Com uma velocidade nunca vista no plantio da soja, em uma semana o Brasil já tinha chegado em 17,8%, ou seja, dobrado a área com 8,4 milhões de hectares em 18/10.
Mais uma semana de chuva e a área chegou em 16,9 milhões de hectares com 35,9% em 25/10 e não parou mais. Em 1/11 com 25 milhões de hectares, 8/11 com 32 milhões e em 15/11 com 37 milhões de hectares em 78,5% da área plantada.
Entre os dias 11/10 e 15/11 o Brasil plantou 32 milhões de hectares o que representa 70% da soja nacional. Fazendo uma conta de produtividade média em 3,5 ton/ha, teremos +-115 milhões de toneladas sendo colhida entre última semana de janeiro e no mês de fevereiro.
O MT foi algo ainda mais incrível, pois o plantio rodou 78% em 21 dias. Plantaram 8,72 Milhões de hectares, média de 415 mil hectares por dia. Só para uma comparação seria o mesmo que plantar toda a área agrícola da Inglaterra de 8,8 Milhões de hectares, em 21 dias.
Para compararmos melhor, em 15/11/24 a plantio já tinha avançado no MT -98,6%, PR – 95,6%, RO – 96,1%, SP – 94,1%, MS – 91,4% e GO – 88,4%. Estes Estados representam 63% da soja plantada no Brasil e foram plantadas na mesma época e certamente serão colhidas concorrendo por logística.
Com o clima favorável, não é difícil que nesta safra o Brasil possa alcançar as 170 milhões de toneladas. Isso ocorrendo e num período mais curto que o usual, podemos ter um gargalo imenso na logística.
Destaco a logística toda a cadeia de escoamento da produção. Do total da soja colhida, em torno de 64% é exportada. Para que isso seja feita é preciso uma cadência de colheita, transporte, armazenamento e exportação. Segundo estudos realizados pela Esalq/Log/USP – Grupo de Extensão em Logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz no período de 2010 a 2013 a produção de soja cresceu 125% e a de milho 135%.
Por outro lado, os investimentos em infraestrutura como portos, ferrovias, hidrovias e armazéns não acompanharam este crescimento. Para efeito de comparação as exportações de soja cresceram 250% e as de milho 416% no período do estudo.
No período estudado ocorreu um decréscimo do uso do modal rodovia para o escoamento da produção de soja de 75% para 69% e um aumento em ferrovia de 20% para 22% e em barcaças de 5% pata 9%. Mesmo com esta pequena redução na rodovia, o Brasil é muito dependente deste modal e certamente este ano devido a concentração da colheita pode ser muito concorrido e ter o seu custo majorado por conta da alta procura.
Quais os riscos que pode ocorrer no pico de safra? O primeiro é a disputa por caminhão. Neste período que ocorre a colheita da soja também e o plantio da safrinha. O caminhão que carrega a soja também carrega o fertilizante que será usado no plantio da 2ª safra. Diante deste cenário é fundamental que o produtor se antecipe e receba o seu fertilizante antes de janeiro/25. Da mesma forma as trades irão dar preferência para a soja já travada e irão reservar espaço para os contratos já comprados. Importante que o produtor avalie o percentual vendido, pois na colheita o problema não passa a ser mais o preço e sim onde conseguirá guardar. Para aumentar ainda mais o desafio, se tivermos uma colheita mais úmida, o gargalo pode ser maior, pois existe uma demora na secagem de grãos e filas podem se formar nas portas dos armazéns. Por isso é fundamental o planejamento das atividades e sempre ter em mãos o Plano B. Boa safra a todos, vamos em frente!!!
















