Os portos dos Emirados Árabes Unidos (EAU) na costa leste, liderados por Khorfakkan, Fujairah e Dibba, estão entrando em uma nova fase de expansão, refletindo a visão do país de fortalecer sua presença marítima global e reafirmar seu papel na garantia da estabilidade das cadeias internacionais de suprimentos.
Essas expansões não são apenas projetos de infraestrutura, mas uma extensão natural de uma trajetória iniciada há anos, quando os EAU compreenderam que o futuro da navegação mundial exigiria corredores seguros fora do alcance das tensões geopolíticas e que o desenvolvimento de capacidades marítimas avançadas fazia parte de sua responsabilidade internacional perante o comércio global.
Hoje, diante dos lamentáveis acontecimentos no Estreito de Ormuz, das restrições à navegação e dos desafios recorrentes, esses portos parecem mais importantes do que nunca. Eles oferecem ao mundo uma alternativa prática para assegurar a continuidade do fluxo de mercadorias e energia, sem interrupções ou riscos adicionais, e confirmam que os EAU souberam antecipar o futuro ao investir em portos localizados fora do Estreito, capazes de operar com eficiência mesmo nas circunstâncias mais adversas.
Essas novas expansões não podem ser dissociadas da estratégia marítima adotada pelos EAU ao longo da última década, nem de um momento decisivo para o país em 2017, quando conquistou um assento na Categoria B do Conselho da Organização Marítima Internacional (IMO), uma das posições mais disputadas e competitivas da indústria marítima mundial.
Naquele ano, tive a honra, como Ministro responsável, de liderar os esforços e supervisionar esse importante processo, que reuniu trabalho diplomático, esforço institucional, apoio nacional e a sólida reputação construída pelos EAU no exterior ao longo de décadas de atuação equilibrada e aberta.
Ficou claro que os EAU entravam na disputa simultaneamente como Estado de bandeira e Estado do porto: um país com uma frota que atende aos padrões internacionais, administra alguns dos portos mais avançados da região e oferece um modelo de conformidade com as normas marítimas internacionais.
A presença dos EAU no Conselho da IMO foi uma necessidade estratégica, e não apenas uma conquista diplomática.
O mundo marítimo é regido por normas vinculantes estabelecidas pela Organização, que afetam diretamente a operação dos portos, a gestão das frotas, a proteção do meio ambiente marinho e a segurança das embarcações.
Estar no Conselho significa que os EAU não são apenas destinatários dessas normas, mas participam de sua formulação, acompanham seus detalhes antes de sua adoção e têm condições de defender seus interesses marítimos diante de regulamentações que eventualmente não considerem as particularidades da região ou os interesses do Estado.
Essa consciência estratégica foi uma das razões pelas quais os EAU insistiram em conquistar o assento no Conselho e também um dos fatores responsáveis pelo sucesso da campanha conduzida pelo país naquele ano. Os EAU compreenderam que o futuro de seus portos, de suas frotas e de sua posição geográfica exigia uma presença ativa na instituição internacional responsável pela formulação das regras da navegação mundial.
Uma das cenas inesquecíveis dos dois dias de eleições na Organização foi a expressiva participação de profissionais estrangeiros residentes e atuantes nos EAU.
Especialistas e profissionais de dezenas de nacionalidades conversaram com as delegações de seus países de origem sobre suas experiências nos Emirados: um ambiente de trabalho global, um país que os acolheu e respeitou suas especialidades e um modelo humano e econômico que os fez sentir parte de uma história de sucesso muito maior.
Seus testemunhos sinceros foram mais influentes do que qualquer discurso oficial, porque nasceram de experiências humanas diretas e expressaram o modelo dos EAU: um país que reúne o mundo em seu território e oferece a todos a oportunidade de contribuir para seu processo de desenvolvimento.
Essa diversidade humana foi um dos segredos do sucesso da campanha, um dos fatores responsáveis pela construção da confiança internacional na candidatura do país e uma demonstração prática de que os EAU já eram um país global em sua própria formação antes mesmo de o serem em suas ambições.
A Dubai World também desempenhou papel fundamental naquele momento. Não era apenas uma operadora portuária global, mas uma demonstração prática da capacidade dos EAU de administrar instalações marítimas segundo padrões internacionais, em diferentes ambientes e culturas.
Sua presença em dezenas de países proporcionou credibilidade adicional aos EAU e fez com que os Estados-membros enxergassem o país como um modelo bem-sucedido de operação marítima, e não simplesmente como uma nação que aspirava a um assento no Conselho.
A Dubai World foi o braço que levou essa confiança ao mundo e projetou os EAU como um país com experiência operacional global, e não apenas com infraestrutura local. Isso fortaleceu a posição do Estado na Organização Marítima Internacional e demonstrou que os Emirados não são um país que apenas fala sobre o mar, mas um país que atua no setor marítimo e influência seus rumos.
Hoje, essa instituição nacional investe no aumento da eficiência dos portos de Fujairah.
Com o anúncio de novas expansões em Khorfakkan, Fujairah e Dibba, tornam-se evidentes os frutos dos esforços realizados em 2017.
Os portos localizados fora do Estreito de Ormuz tornaram-se pontos estratégicos para o comércio mundial diante dos lamentáveis acontecimentos no Estreito. Aquilo que foi construído anos atrás se tornou, hoje, uma necessidade internacional.
Essas expansões ampliam a capacidade do país de receber rotas marítimas alternativas, reduzir a pressão sobre corredores afetados e contribuir para a estabilidade do comércio internacional, objetivos plenamente alinhados às diretrizes da IMO, de cuja liderança executiva os EAU têm participado.
Isso também reafirma que os EAU, na condição de Estado de bandeira, Estado do porto e Estado costeiro, possuem uma dupla responsabilidade: proteger as rotas marítimas e oferecer um modelo prático para os países que dependem do mar para seu comércio e sua economia.
O que está sendo realizado atualmente nos portos dos EAU não representa um novo capítulo isolado, mas a continuidade natural de uma trajetória iniciada há anos, quando a boa reputação do Estado, o apoio institucional, a diversidade humana e a visão estratégica se uniram para proporcionar um momento histórico com a conquista de um assento no Conselho da Organização Marítima Internacional.
Hoje, esse momento se renova por meio de projetos de expansão que fortalecem a posição do país como potência marítima global e confirmam que os EAU são uma nação que constrói sua força tanto a partir de seu capital humano quanto de seus portos. Sua presença no Conselho não constitui um privilégio protocolar, mas uma necessidade estratégica para proteger suas conquistas marítimas e acompanhar diretamente as normas vinculantes que moldarão o futuro da navegação mundial, especialmente em uma região exposta a desafios recorrentes, como o Estreito de Ormuz.

















