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A EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL, SUAS COMPETÊNCIAS E INCOMPETÊNCIAS

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“A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido”. A imagem dessa frase atribuída a Confúcio é provocativa. A experiência ilumina, mas sua luz vem, inevitavelmente, daquilo que já vivemos. É com esse repertório que reconhecemos situações, interpretamos o que acontece e encontramos caminhos. A questão é saber até que ponto uma luz voltada para o caminho já percorrido nos ajuda a enxergar o que ainda teremos pela frente.

O mercado de trabalho valoriza muito a experiência. Há profissionais que entram em uma situação e, em poucos minutos, percebem algo que outros levariam horas para identificar. Já viveram situações semelhantes, conhecem os sinais, reconhecem padrões e conseguem antecipar consequências.

No agronegócio, o valor é evidente. Há conhecimentos construídos ao longo de anos de convivência com a terra, com os animais, com máquinas, pessoas, safras e ciclos produtivos. Parte importante do que se sabe foi aprendida fazendo.

Um operador experiente pode perceber pelo ruído que alguma coisa não está funcionando como deveria. Um profissional no campo identifica uma alteração que passaria despercebida para alguém menos acostumado àquela realidade. Um gestor olha determinados indicadores e percebe imediatamente que há algo errado. Talvez nem consiga explicar, naquele primeiro momento, por quê. Mas percebeu.

A experiência amplia o repertório. E repertório faz diferença.

Quanto mais situações vivemos, maior tende a ser nossa capacidade de compará-las com situações anteriores. Decidimos mais rapidamente, identificamos riscos, evitamos erros que já cometemos e encontramos caminhos que alguém começando agora ainda não conhece. A psicanálise também nos ajuda a compreender esse processo. Aquilo que vivemos deixa registros que participam da maneira como reconhecemos e interpretamos novas experiências. O presente encontra, em nós, uma história anterior que nos oferece referências para compreendê-lo.

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Mas há outra face dessa mesma experiência. Nenhuma situação é percebida de forma inteiramente neutra.

Quem já viveu muitas situações também pode adquirir respostas prontas para elas. A experiência cria referências, hábitos e, inevitavelmente, alguns vícios. Depois de fazer algo da mesma maneira durante muitos anos, é natural considerar essa forma de fazer a mais adequada. Principalmente quando funciona.

O sucesso também ensina, mas nem tudo o que ele ensina continua válido para sempre. Aquilo que deu certo fortalece convicções e, quanto mais elas são confirmadas, menos motivos encontramos para questioná-las.

É possível fazer uma analogia com o trânsito. Há uma percepção difundida de que muitos acidentes ocorrem perto de casa. Tendemos a relaxar a atenção por conhecermos bem o caminho. Por analogia, a experiência pode produzir efeito semelhante. O excesso de confiança no que já conhecemos pode reduzir nossa capacidade de perceber aquilo que foge ao esperado e influenciar a própria maneira como interpretamos o que vemos.

Nossa história, nossos valores, conhecimentos, crenças, interesses e experiências anteriores interferem na maneira como interpretamos o que acontece. Diante do mesmo problema, duas pessoas podem enxergar causas diferentes e defender soluções completamente distintas. Cada uma acredita olhar para a realidade, quando também olha para a própria interpretação dela. A verdade é de cada um, à revelia da realidade.

Quanto mais experientes nos tornamos, mais referências acumulamos para interpretar rapidamente aquilo que vemos. Essa vantagem também pode comprometer o chamado “olhar da primeira vez”, uma capacidade particularmente importante para a abertura da consciência, para a flexibilidade, para o repensar de processos e para a inovação.

Inovar exige conhecimento, mas também curiosidade para questionar o conhecido. Se tudo parece normal, há pouco a investigar. Aquele profissional que se vangloria de ter dez anos de experiência talvez devesse se perguntar se não tem, na verdade, um ano de experiência repetido dez vezes.

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Por isso, uma das qualidades mais importantes de um profissional experiente é a humildade, que precisa caminhar junto com a experiência e com a visão crítica.

Existe ainda outra faceta da experiência que merece atenção das organizações. Experiência também é conhecimento.

Grande parte do conhecimento existente em uma fazenda, cooperativa, agroindústria ou qualquer outra organização não está nos procedimentos, sistemas ou manuais. Está nas pessoas.

É o conhecimento construído pela prática. Por isso, um dos desafios é fazer com que esse conhecimento permaneça na organização. Quando um profissional muda de área, deixa a empresa ou se aposenta, parte desse conhecimento pode ir embora com ele. Ter profissionais que aprendem não significa necessariamente ser uma organização que aprende. A gestão do conhecimento cria condições para que a experiência individual circule, seja compartilhada e se transforme em patrimônio da organização, sem perpetuar as práticas do passado.

Capacitar e reciclar profissionais experientes pode ser desafiador. É preciso desenvolver competências comportamentais e estimular a visão crítica, a curiosidade e a criatividade. A abertura às mudanças e a disposição para incorporar novos conhecimentos, modelos e tecnologias, somadas à bagagem já adquirida, contribuem para sua atualização e para que assuma o papel de multiplicador do conhecimento.

Quanto mais experiente o profissional, mais sabe o quanto ainda precisa aprender. A experiência oferece muitas respostas, mas também ensina a fazer novas perguntas. Nenhuma trajetória profissional é longa o suficiente para encerrar o aprendizado. Experiente, sim. Pronto, não!

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