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Capa da 32ª Edição

AS ASAS DA SAFRA

Com a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, o Brasil transforma aviões, helicópteros e drones em parte da infraestrutura da produção. A expansão do mercado, porém, amplia também a cobrança por precisão, fiscalização e segurança.

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Em uma lavoura de soja, milho ou algodão, o intervalo entre identificar uma ameaça e conseguir enfrentá-la pode definir o resultado da safra. Uma chuva que impede a entrada de máquinas, o avanço acelerado de uma doença ou a multiplicação de uma praga não esperam o solo secar nem o calendário do produtor se reorganizar. É nesse espaço estreito, algumas horas podem significar perda de produtividade, que a aviação agrícola construiu sua importância no Brasil.

O avião chama atenção quando passa baixo sobre a plantação, mas o voo é apenas a parte mais visível de uma operação que começa no diagnóstico agronômico. Antes da decolagem, é preciso definir se a intervenção é necessária, escolher o produto autorizado, calcular dose e volume, mapear obstáculos e áreas sensíveis, avaliar vento, temperatura e umidade, regular bicos e tamanho de gotas e estabelecer a faixa de aplicação. Depois do pouso, permanecem obrigações de registro, limpeza, destinação de resíduos, manutenção e rastreabilidade.

Essa cadeia se tornou grande o suficiente para colocar o País na segunda posição mundial. O Brasil encerrou 2025 com 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas, aumento de 5,25% em um ano, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Apenas os Estados Unidos, com cerca de 3,6 mil aviões e helicópteros no segmento, possuem uma frota maior.

O crescimento ganha outra dimensão quando comparado ao início da série histórica. Em 2009, havia 1.498 aeronaves agrícolas no País. Em 16 anos, o contingente aumentou 91,3%, mesmo atravessando crises econômicas, oscilações das commodities, pandemia e períodos de crédito caro. A expansão acompanhou a abertura de novas áreas produtivas, a intensificação do uso do solo e, principalmente, a necessidade de realizar operações em janelas cada vez mais curtas.

Não se trata apenas de mais aviões. Um estudo econômico do Sindag calcula que a aviação agrícola movimentou R$ 8,17 bilhões em serviços diretos em 2024, quando 2.722 aeronaves tripuladas atenderam cerca de 136 milhões de hectares. Esse número não corresponde à extensão física de terras coberta pelo setor. Ele soma as passagens realizadas nas diferentes etapas do manejo, já que uma mesma área pode receber mais de uma aplicação durante o ciclo.

Para 2028, a projeção da entidade é de uma frota superior a 3,4 mil aeronaves, faturamento anual acima de R$ 10 bilhões e mais de 170 milhões de hectares atendidos, também considerando a repetição de operações. O avanço cria demanda por pilotos, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, mecânicos, fornecedores de peças, oficinas de manutenção, empresas de tecnologia, seguros, combustíveis e infraestrutura de apoio.

Parte dessa expansão está ligada à escala que o agronegócio brasileiro alcançou. A aviação é usada principalmente em soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, arroz, pastagens e florestas plantadas. Em áreas extensas, uma aeronave consegue realizar em poucas horas um trabalho que exigiria mais tempo e deslocamento de equipamentos terrestres. Modelos atuais podem superar 200 hectares tratados por hora, embora o rendimento efetivo varie conforme aeronave, relevo, distância da pista, tamanho dos talhões, produto, volume aplicado e condições meteorológicas.

A velocidade não é apenas uma vantagem operacional. Em determinadas situações, ela funciona como proteção da renda do produtor e da oferta de alimentos, fibras e energia. Pragas e doenças têm momentos específicos nos quais o controle é mais eficiente. Se a intervenção atrasar, a infestação pode avançar, elevar a quantidade de produto necessária ou reduzir o potencial produtivo da lavoura. Quando o terreno está encharcado, a aeronave pode operar sem aguardar a entrada de um pulverizador terrestre, desde que as condições atmosféricas sejam adequadas ao voo e à aplicação.

O uso do avião também evita que rodas atravessem a cultura. A ausência de contato reduz amassamento, compactação e a possibilidade de máquinas transportarem solo e material vegetal contaminado de um ponto para outro. A dimensão do ganho depende da cultura, do estágio das plantas, da largura dos equipamentos e do planejamento dos rastros. Por isso, percentuais genéricos de perda não servem para todas as propriedades. Estudos de campo, no entanto, mostram que o dano provocado pelo tráfego terrestre pode ser economicamente relevante em determinadas lavouras.

É nesse sentido que o setor apresenta a aviação agrícola como ferramenta de segurança alimentar. A expressão não significa que o avião, sozinho, garanta uma safra. A segurança começa no monitoramento da lavoura, passa pelo manejo integrado de pragas, pela escolha de produtos registrados e pela assistência de um responsável técnico. A aeronave entra como meio de executar rapidamente a decisão agronômica, inclusive com fertilizantes, sementes e produtos biológicos, e não apenas com defensivos químicos.

Essa distinção é importante porque a imagem pública da atividade ainda está fortemente ligada à pulverização de agrotóxicos. O avião se tornou o símbolo mais visível de uma discussão que envolve todo o sistema de aplicação. Os mesmos produtos podem ser distribuídos por equipamentos terrestres ou aéreos. O risco não depende somente do veículo utilizado, mas da toxicidade da substância, da dose, das condições meteorológicas, da calibração, do respeito às áreas de proteção e da qualidade de quem planeja e executa o trabalho.

Os recursos embarcados mudaram profundamente desde que a aviação agrícola começou no Brasil. O primeiro voo ocorreu em 19 de agosto de 1947, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, para combater uma nuvem de gafanhotos. O piloto Clóvis Candiota e o engenheiro agrônomo Leôncio Fontelle adaptaram um biplano Muniz M-9 para a operação. Quase oito décadas depois, a navegação visual sobre a lavoura deu lugar a sistemas por satélite, mapas digitais, controle automático de fluxo, sensores, telemetria e registros eletrônicos.

O Sistema de Posicionamento Global Diferencial, conhecido pela sigla DGPS, permite orientar o piloto sobre as faixas já tratadas e reduzir falhas ou sobreposições. Equipamentos de vazão ajustam a liberação da calda à velocidade da aeronave. Estações meteorológicas portáteis ajudam a verificar se vento, temperatura e umidade permanecem dentro dos parâmetros definidos. Mapas identificam moradias, mananciais, criação de animais, áreas de preservação, apiários, redes elétricas, torres e outros obstáculos.

Tecnologia, no entanto, não revoga as leis da física. Toda pulverização produz gotas sujeitas ao vento, à evaporação e ao deslocamento para fora do alvo. A deriva pode ser reduzida com escolha correta de bicos, espectro de gotas, altura de voo, faixa de deposição, adjuvantes, planejamento e respeito aos limites meteorológicos, mas não deve ser tratada como risco inexistente. Quanto maior a precisão possível, maior também é a responsabilidade de interromper o trabalho quando as condições deixam de ser seguras.

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A regulamentação federal estabelece barreiras mínimas para aeronaves tripuladas. A aplicação de agrotóxicos não pode ocorrer a menos de 500 metros de povoações, cidades, vilas, bairros e mananciais usados no abastecimento da população. A distância mínima é de 250 metros para outros mananciais, moradias isoladas e agrupamentos de animais. Recomendações específicas do produto e normas estaduais ou municipais podem impor exigências adicionais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) fiscaliza a parte agronômica da atividade. Nas inspeções, verifica documentos da aeronave e da equipe, responsabilidade técnica, receituário agronômico, mapas, relatórios de aplicação e instalações para descontaminação. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) responde pelas regras aeronáuticas, certificação de operadores, habilitação dos pilotos, condições de operação e aeronavegabilidade. Órgãos ambientais, autoridades estaduais e conselhos profissionais também participam do controle, conforme a natureza da ocorrência.

Para prestar serviço, a empresa precisa manter estrutura técnica compatível com a operação. O trabalho envolve engenheiro agrônomo responsável e técnico executor qualificado, além de piloto agrícola habilitado. A formação é específica porque voar próximo ao solo, em alta velocidade, realizando manobras sucessivas e convivendo com redes elétricas, árvores, torres e variações de relevo é muito diferente da rotina da aviação comercial.

Os números de segurança mostram que esse é um ponto no qual o setor não pode relaxar. O Relatório de Gestão e Atividades de 2025 da Anac registrou 51 acidentes na aviação agrícola, sete incidentes graves e 14 mortes. Em 2024, foram contabilizados 63 acidentes e 13 mortes. A redução no número de ocorrências não elimina a gravidade do quadro, especialmente em uma atividade na qual perda de controle, colisão com obstáculos, falhas de motor, decisões operacionais e fatores humanos podem produzir consequências fatais em poucos segundos.

A idade média das aeronaves também exige manutenção rigorosa. O levantamento da frota aponta média de 22,1 anos e registra equipamentos fabricados desde 1959. Idade, isoladamente, não determina a segurança de um avião: aeronaves podem permanecer aptas por décadas quando cumprem inspeções, limites de componentes, diretrizes de aeronavegabilidade e manutenção prevista. Ainda assim, uma frota extensa e heterogênea aumenta a necessidade de oficinas qualificadas, disponibilidade de peças, registros confiáveis e fiscalização contínua.

O mercado brasileiro combina indústria nacional e importações. Cerca de 51% da frota foi produzida no País e 49% veio do exterior. O principal nome nacional é o Ipanema, fabricado pela Embraer, que ultrapassou 1.700 unidades entregues e tem versões movidas a etanol. O modelo tornou o Brasil referência no uso de biocombustível em aeronaves agrícolas. Na faixa de maior capacidade, cresceu a presença de turboélices importados, procurados por empresas e produtores que precisam transportar mais carga e atender áreas maiores.

O perfil dos operadores também mudou. Ao fim de 2025, 62,9% das aeronaves estavam vinculadas a empresas de Serviços Aéreos Especializados, que prestam trabalho a terceiros. Outras 35,7% pertenciam a operadores privados, principalmente produtores e grupos rurais que usam aviões nas próprias áreas. Entre 2023 e 2025, houve migração líquida de 119 aeronaves do modelo privado para a prestação de serviços, movimento associado à profissionalização, ao ganho de escala e ao aumento das exigências de gestão e conformidade.

Para o produtor, contratar ou manter uma aeronave própria depende de uma conta que vai além do preço por hectare. Entram no cálculo a urgência da aplicação, o tamanho e a concentração das áreas, a distância das bases, o tempo de deslocamento, o risco de amassamento, a disponibilidade de equipamentos terrestres e as perdas que um atraso pode provocar. Do lado das empresas, câmbio, combustível, peças importadas, seguros, mão de obra e juros determinam a rentabilidade.

O Centro-Oeste tornou-se o núcleo desse mercado. Mato Grosso possui 803 aeronaves, o equivalente a 28% da frota brasileira, e Goiás aparece na quarta posição, com 320. A concentração acompanha lavouras extensas de soja, milho e algodão e explica por que serviços de aplicação, manutenção, treinamento e fornecimento de peças se instalaram próximos aos principais polos agrícolas.

Ao mesmo tempo, novas tecnologias começaram a ocupar espaços diferentes. O País terminou 2025 com 10.357 drones agrícolas cadastrados na Anac, de acordo com o Sindag. Eles são usados principalmente em áreas menores, terrenos inclinados, aplicações localizadas e pontos próximos a obstáculos nos quais um avião não teria a mesma vantagem operacional. A escala é diferente, mas o princípio regulatório permanece: pulverizar com uma aeronave remotamente pilotada também exige qualificação, registro, planejamento e respeito às regras ambientais e agronômicas.

Em 2025, o Brasil registrou ainda o primeiro avião agrícola autônomo em ambiente regulado, o Pelican, da empresa norte-americana Pyka. Movido a eletricidade, com capacidade próxima de 300 litros, o equipamento ocupa uma faixa intermediária entre drones menores e aeronaves tripuladas tradicionais. A chegada de uma única unidade ainda não altera o mercado, mas sinaliza um futuro no qual pilotos, operadores remotos, inteligência artificial e sistemas automáticos deverão conviver no mesmo espaço aéreo rural.

Essa transformação aumenta a demanda por profissionais capazes de lidar com dados, software, eletrônica e gestão de risco. A escassez de pilotos e mecânicos qualificados já aparece entre as preocupações das empresas. A expansão da frota sem crescimento equivalente da formação pode pressionar jornadas, manutenção e qualidade operacional. Por isso, o mercado terá de investir não apenas na compra de máquinas, mas também em treinamento recorrente, retenção de mão de obra e cultura organizacional.

Outro campo de crescimento está nos produtos biológicos. A aplicação aérea de microrganismos, agentes de controle e bioinsumos exige cuidados próprios com temperatura, radiação, mistura e viabilidade dos organismos, mas amplia o uso da aviação para além da associação automática com produtos químicos. O desafio é desenvolver protocolos que conciliem rendimento operacional, sobrevivência do agente biológico e deposição adequada no alvo.

A capacidade de responder a emergências ambientais também ganhou importância. Aviões agrícolas são empregados no combate a incêndios em lavouras, florestas e áreas naturais. Em 2024, o setor lançou 40,1 milhões de litros de água sobre focos de fogo no País, segundo o Sindag. Em períodos de seca extrema, bases próximas às áreas rurais permitem mobilização mais rápida, embora o combate aéreo precise estar integrado às equipes em terra e aos comandos responsáveis pela ocorrência.

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O MAPA DA FROTA BRASILEIRA

As 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas ao fim de 2025 estão concentradas nas regiões de maior produção de grãos, fibras e cana-de-açúcar. O Centro-Oeste reúne 1.299 unidades, 45,3% do total nacional. Mato Grosso lidera isoladamente, com 803 aeronaves, seguido por Goiás, com 320; Mato Grosso do Sul, com 160; e Distrito Federal, com 16.

O Sul aparece em segundo lugar, com 554 aeronaves, ou 19,3% da frota. O Rio Grande do Sul possui 398, o Paraná, 141, e Santa Catarina, 15. A região é o berço histórico da aviação agrícola brasileira e mantém forte presença no arroz, nos grãos e nas operações florestais.

O Sudeste soma 444 aeronaves, 15,5% do total. São Paulo concentra 328 unidades, Minas Gerais tem 109, Rio de Janeiro, seis, e Espírito Santo, uma. A estrutura paulista está ligada principalmente à cana-de-açúcar, aos grãos, às florestas plantadas, à indústria aeronáutica e à manutenção.

O Nordeste possui 320 aeronaves, 11,2% da frota. A Bahia lidera a região com 188 unidades, seguida por Maranhão, com 67; Piauí, com 44; Alagoas, com 15; Pernambuco, com cinco; e Sergipe, com uma. A expansão acompanha sobretudo os polos agrícolas do oeste baiano e da região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida como Matopiba.

No Norte estão 249 aeronaves, 8,7% do total. Pará tem 95, Tocantins, 91, Rondônia, 41, Roraima, 15, Amazonas, quatro, Acre, duas, e Amapá, uma. A presença ainda é menor que no Centro-Oeste, mas cresce com a consolidação de novas áreas agrícolas e com a demanda para combate a incêndios.

MUITO ALÉM DOS DEFENSIVOS

Pulverizar produtos fitossanitários é a atividade mais conhecida, mas não é a única missão da aviação agrícola. Aviões, helicópteros e drones podem distribuir fertilizantes, sementes, corretivos, inoculantes e agentes biológicos. Também participam de semeadura, recuperação de áreas, combate a incêndios e operações em locais nos quais máquinas terrestres não conseguem entrar no momento necessário.

No combate ao fogo, aeronaves agrícolas têm a vantagem de estar baseadas em regiões rurais e poder receber equipamentos específicos para lançamento de água. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, foram despejados 40,1 milhões de litros sobre incêndios em vegetação em 2024. O avião não substitui brigadistas nem grandes aeronaves de combate, mas pode fazer o primeiro ataque e apoiar equipes terrestres.

O uso contra mosquitos também possui previsão legal. A Lei nº 13.301, de 2016, permite que autoridades de saúde incorporem a dispersão por aeronaves nas ações contra o Aedes aegypti, desde que haja aprovação sanitária e comprovação científica da eficácia. O Supremo Tribunal Federal considerou a medida constitucional em 2020, mas condicionou sua adoção à avaliação dos impactos sobre a saúde e o meio ambiente.

Na prática, a ferramenta não se tornou rotina brasileira contra a dengue. A experiência histórica mais citada ocorreu em 1975, quando aviões participaram do combate a mosquitos transmissores de encefalite na Baixada Santista. A técnica é usada em outros países, mas sua adoção em áreas urbanas exige protocolo específico, monitoramento e decisão das autoridades sanitárias, não podendo ser confundida com a pulverização realizada em lavouras.

CONGRESSO EXPÕE AS PRIORIDADES DO SETOR

Realizado de 18 a 20 de agosto, em Goianápolis, Goiás, o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil transformou o Condomínio Aeronáutico Liberty em uma vitrine da cadeia aeroagrícola. O evento ocupou uma área expositiva de 3.816 metros quadrados e reuniu cerca de 200 marcas, dois palcos de programação simultânea e um espaço externo destinado a demonstrações práticas de aeronaves e equipamentos.

O primeiro dia colocou em pauta gestão, tecnologia internacional de aplicação, sustentabilidade, participação feminina no setor, deriva em operações com aviões, helicópteros e drones, manutenção de motores e atualização de pilotos. A abertura também homenageou o brasileiro Júlio Augusto Kämpf e o uruguaio Néstor Santos com a Medalha Mérito da Aviação Agrícola, pelo trabalho de integração e representação do segmento na América Latina.

No dia 19, os debates avançaram sobre geopolítica, finanças, comunicação, restrições à pulverização aérea, cultura de segurança e pesquisa científica. No painel “Geopolítica e economia internacional”, que também teve a participação de Cláudio Silveira Brisolara e Edson Novaes, com mediação de Cláudio Júnior Oliveira, o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, defendeu uma visão ampla da atividade.

“A aviação agrícola não pode ser vista apenas como aplicação de insumos. Trata-se de uma ferramenta capaz de atender grandes áreas no momento exigido pela lavoura, com rapidez, precisão e eficiência, contribuindo diretamente para a produtividade, a oferta de alimentos e a segurança alimentar”, afirmou Rezende.

Para Rezende, o crescimento da atividade precisa ser acompanhado por uma discussão igualmente abrangente. “O debate passa pela evolução da frota, pelas tecnologias incorporadas às operações, pela qualificação dos profissionais e pela busca permanente de mais precisão e segurança. O congresso reuniu esses temas, mas a discussão precisa ir além do evento, para que a sociedade conheça a importância da aviação agrícola para o sistema produtivo e os desafios que ainda devem ser enfrentados”, acrescentou.

O futuro da aviação agrícola não será definido apenas pelo número de aeronaves compradas. Será medido pela qualidade das aplicações, pela redução de acidentes, pela transparência dos registros e pela confiança construída com produtores e comunidades rurais. A segunda maior frota do mundo já demonstra escala. O próximo desafio é transformar essa dimensão em um padrão igualmente elevado de segurança, eficiência e responsabilidade.

O encerramento voltou-se para a próxima década. A agenda incluiu o futuro da aviação agrícola, a formação de mecânicos, os efeitos da reforma tributária sobre os custos operacionais, a inteligência artificial, a segurança jurídica e o preparo de caldas. O conjunto dos temas revelou uma atividade em expansão, mas pressionada a demonstrar que crescimento da frota, inovação e desempenho econômico podem avançar junto com fiscalização, qualificação e redução de riscos.

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