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Desafios intergeracional no agro tem como solução a integração geracional

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Atualmente no Brasil existe um assunto constante nas rodas de conversas com trocas de experiências, a insatisfação da comunicação no agro. Os mais velhos não entendem a forma de pensar e agir dos jovens, e os jovens não conseguem nem ao menos perceber essa situação.

Depois de muito refletir e me aprofundar nos comportamentos humanos, posso concluir que a diferença comportamental transgeracional refere-se às variações nas atitudes, valores e comportamentos entre diferentes gerações ao longo do tempo, moldadas por fatores como contexto histórico, avanços tecnológicos, mudanças culturais e econômicas. Essas diferenças comportamentais entre essas gerações, impactam além da comunicação, as relações de trabalho e consumo, refletindo mudanças nas prioridades e no modo como cada geração interpreta o mundo e se adapta às novas realidades.

As gerações nascidas a partir dos anos 2.000 são “humanos digitais”, sendo o principal motivo que torna mais visíveis as diferenças os desafios transgeracionais são visíveis, se comunicam de forma mais direta, com gírias e abreviações, usam aplicativos para tudo, mensagens, interação, relacionamentos, conhecimento, pesquisa, gostam da comunicação instantânea com respostas rápidas, preferência pelas formas de comunicação mais visuais como vídeos, memes, emojis, e nada de ligações, nem reuniões presenciais, ou e-mails (textão), e o excesso de formalidade é visto desnecessário, antiquado, ultrapassado.

Para todas as outras gerações, por participarem da evolução tecnológica, onde receberam as tecnologias de forma gradativa e adotaram ao longo do tempo, e apesar de não rejeitarem a tecnologia, ainda veem com ceticismo a rápida introdução de novas ferramentas, preferindo práticas tradicionais que têm funcionado por décadas, trazendo consequências na convivência, interação e comunicação com a nova geração, pois a interpreta como impaciente, superficial, desinteressados, informal, impessoal, até mesmo desrespeitosa, mas apenas é a forma como seus cérebros foram formados, idem a algo tecnológico.

Os desafios transgeracionais visíveis, como a comunicação, são a ponta de um grande “iceberg”, os valores pessoais de cada geração. A geração nascida depois dos anos 2.000 projetam cenários a longo prazo, se orienta pelo impacto que causará no mundo, assim estigmatizam questões como mudanças climáticas, responsabilidade social, uso de agrotóxico, consumo de carne, alimentos orgânicos, rastreabilidade de produtos, não focam em consequências no curto prazo, no retorno financeiro imediato, no acúmulo de riquezas e patrimônios. Está preocupada com seus valores pessoais e é fiel no que acredita como ideal para o futuro.

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Tudo isso interfere na forma como enxerga o trabalho, que deve ter suas atividades alinhadas com valores pessoais, propósito de vida e impacto social. A estabilidade econômica é mera consequência. Busca explorar novas oportunidades de mercado como e-commerce, marcas que se preocupam com a sustentabilidade, práticas agrícolas que tenham menor impacto ambiental, e vê grande valor em seguir certificações e normas ESG (ambientais, sociais e de governança), não se concentra nos aspectos econômicos, como o pragmatismo da produção agrícola. E esta forma está moldado as tendências de consumo e se praticadas, responderam às demandas do consumidor moderno.

Todas essas variareis formam uma matriz complexa, com infinitas variações de combinações para uma fração pequena de acerto, e que depende de muito esforço para obtê-la. Desta maneira, estamos diante de uma problemática caótica, sem tempo para parar e preparar os atores envolvidos. Buscando contribuir para a melhoria deste cenário e alcançarmos melhores resultados no agro, a grande solução é a integração geracional em todos os ambientes.

Trazer à tona as características de cada geração, estimulando o diálogo com troca de experiências, colocando amostra preferências de comunicação, estilos de trabalho, sensibilização sobre diferenças geracionais de ambos os lados, buscando refletir sob o ponto de vista do outro, exercendo o respeito ao próximo.

A seguir sugiro algumas práticas que podem ser aplicadas imediatamente nas relações interpessoais e que devem ser repetidas em nosso dia a dia. Ressalto que todo novo hábito exige repetição, desta maneira essas ações devem ser praticadas incansavelmente até que se torne algo rotineiro, um novo normal.

  • Realizar treinamentos constantemente atrelados a processos de acompanhamento, para ambas as gerações envolvidas, implementando a cultura de propósito, tanto no trabalho como na vida pessoal, alinhando os valores de cada um com e propósito no e do trabalho.
  • Criar grupos com diversidade geracional que possam compartilhar suas perspectivas, necessidades, dificuldades, pontos de vista, preferencialmente com um mediador acompanhando, que poderá solucionar possíveis conflitos e auxiliar em reflexões futuras, proporcionando assim um ambiente seguro e acolhedor.
  • Alinhar as expectativas é primordial para que ocorra sucesso entre as relações, e periodicamente deve ser revisto e realinhado, criando um ambiente mais transparente, explicando claramente expectativas de desempenho e metas a serem alcançadas, mas com a flexibilidade de ajustar processos de acordo com o perfil de trabalho da Geração.
  • Implementar programas de mentoria reversa, para compartilhamento de conhecimentos dos mais jovens sobre novas tecnologias, tendências e inovações. Esta prática ajuda a reduzir a sensação de distância e valoriza as contribuições.
  • Promover rodadas de estudos entre a equipe sobre metas de longo prazo, destacando como a sustentabilidade e inovação podem garantir a viabilidade economia, ambiental, social e de governança, e ao mesmo tempo mostrar a importância de se manter o foco nas metas de curto prazo para o funcionamento atual.
  • Promover treinamento cruzado em soft skills, desenvolvendo soft skills para ambas as gerações, com o foco em comunicação interpessoal, escuta ativa e resolução de conflitos, para promoção de comunicação mais efetiva, minimizando mal-entendidos.
  • Desenvolver e executar um estilo de liderança mais flexível, inclusivo e colaborativo, adotando práticas de gestão mais abertas e adaptáveis, contemplando a diversidade geracional no planejamento estratégico, delegando responsabilidade com autonomia, focando em diretrizes claras, permitindo que todos tenham a oportunidade de contribuir, e até liderar, proporcionando um sentimento de pertencimento no processo decisório.
  • Adaptar os canais de comunicação (redes sociais, e-mail, formato de reuniões) priorizando os formatos curtos, rápidos, frequentes e com elementos visuais.
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Ao aplicar essas abordagens, além de reduzir conflitos, cria-se um cenário próprio para a adoção, mesmo que gradativa, uma cultura onde as diferentes gerações trabalhem juntas de maneira mais harmoniosa, aproveitando o melhor de ambos os mundos geracionais, valorizando experiências e visão estratégica dos mais experientes, oportunizando aprendizado com a sabedoria prática e, ao mesmo tempo, detectando conhecimentos tecnológicos, inovação e agilidade trazidos pelas gerações mais novas. Com o empenho de todos, o setor agro pode transformar essas diferenças geracionais em uma oportunidade de aprendizado mútuo, para manter o setor competitivo e sustentável.

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