Dados preliminares levantados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) em setembro de 2024 indicam que, atualmente, pelo menos 28 aeronaves estão envolvidas no combate a incêndios a serviço de órgãos oficiais, usinas e produtores rurais no Pantanal, São Paulo e Goiás. Nos últimos 60 dias, a aviação agrícola brasileira lançou pelo menos 15,8 milhões de litros de água contra focos de incêndios nesses estados. As operações envolveram 28 aeronaves, com números parciais que serão concluídos apenas no final da temporada de incêndios, que se estende até o fim de setembro.
No Pantanal, tanto no Mato Grosso quanto no Mato Grosso do Sul, foram lançados 14,38 milhões de litros de água por 17 aeronaves contratadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelos governos estaduais. Essas aeronaves prestaram apoio a mais de 200 brigadistas e bombeiros que combatem as chamas em solo. Esta colaboração entre aviação agrícola e equipes terrestres exemplifica um modelo de ação coordenada que tem se mostrado eficaz na mitigação dos danos causados pelo fogo.
Em São Paulo, pelo menos 11 aviões agrícolas lançaram cerca de 760 mil litros de água no combate a incêndios em lavouras e áreas de preservação. Os focos de incêndio, especialmente registrados no final da última semana em várias partes do estado, foram combatidos por aeronaves acionadas tanto pelo governo estadual quanto por usinas. Este esforço conjunto visa proteger as áreas agrícolas e preservar o meio ambiente.
Em Goiás, empresas aeroagrícolas mantêm brigadas aéreas de combate a incêndios. Nessa região, aproximadamente 540 mil litros de água foram lançados por 15 aviões em operações contra chamas em lavouras, especialmente em áreas de palhada de milho, e reservas ambientais. A ação integrada e a prontidão das brigadas aéreas são cruciais para a eficácia das operações.
A Importância da Coordenação
Nas operações aéreas contra incêndios, cerca de 90% do trabalho é realizado em parceria com brigadistas em solo. O líder da equipe em terra solicita o apoio aéreo e coordena com o piloto como será feito o lançamento. Em grandes incêndios, a função do avião é reduzir o fogo para que os brigadistas possam chegar aos focos em segurança. Aviões agrícolas operam sozinhos em áreas de difícil acesso, urgências de criação de corredores de fuga para a fauna ou quando é necessário segurar ou eliminar a linha de fogo com mais lançamentos de água.
Histórico e Prerrogativas
O modelo de operação com aviões e brigadistas é adotado internacionalmente. No Brasil, há mais de três décadas é empregado em reservas naturais e, posteriormente, em lavouras. A aviação agrícola opera em reservas federais em parceria com o ICMBio desde 2007 e, antes disso, com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e bombeiros estaduais desde os anos 1990. Desde os anos 1960, o combate a incêndios em campos e florestas está entre as prerrogativas do setor aeroagrícola. Em 2022, o Brasil consolidou a importância da aviação agrícola no combate a incêndios florestais com uma Lei Federal que inclui as aeronaves agrícolas nas políticas de governo para essas ações.
Enquanto isso, um levantamento preliminar realizado em agosto pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) revelou que aviões agrícolas lançaram pelo menos 15,8 milhões de litros de água contra focos de incêndios no País, abrangendo as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, com destaque para o Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), São Paulo e Goiás. Até o momento, a entidade identificou pelo menos 50 empresas aeroagrícolas envolvidas em operações contra chamas este ano. A sondagem definitiva será concluída no final de outubro, quando se espera que as chuvas tenham amenizado a seca.
Embora o Sindag não tenha feito um levantamento específico da atuação da aviação agrícola contra as chamas em 2020, os dados da temporada seguinte dão uma ideia do protagonismo do setor. Em 2021, quando a quantidade de focos foi 18% menor no País, a aviação agrícola lançou 19,5 milhões de litros de água contra as chamas, em 10,9 mil manobras de ataque ao fogo, somando mais de 4 mil horas de voo para proteger brigadistas, reservas naturais e lavouras no País. Um episódio notável daquele ano foi quando uma aeronave de uma das associadas do Sindag salvou uma família das chamas que estavam prestes a chegar à residência onde estavam as pessoas. Este é apenas um exemplo das muitas vidas salvas pelo trabalho conjunto dos brigadistas em solo e com o apoio aéreo. A decisão do STF e a atuação coordenada das equipes de aviação agrícola destacam a importância de investimentos contínuos e adequados no combate aos incêndios florestais, garantindo a proteção das áreas afetadas e a segurança das comunidades envolvidas.
Conclusão
Os dados preliminares do Sindag destacam a vital contribuição da aviação agrícola no combate a incêndios no Brasil. A colaboração entre aeronaves e brigadistas em solo, aliada à coordenação eficiente e estratégias integradas, tem sido fundamental para mitigar os danos causados pelo fogo em diversas regiões do país. O reconhecimento dessa importância e a continuidade das operações são essenciais para a preservação do meio ambiente e a segurança das áreas agrícolas. A aviação agrícola continua a ser uma aliada crucial no combate aos incêndios, protegendo vidas e patrimônios naturais.

















