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2026: TRANSPARÊNCIA E DIÁLOGO NO CENTRO DA AGENDA AEROAGRÍCOLA

Foto Gabriel Colle credito Castor Becker Júnior

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Setor aposta em comunicação, governança e proximidade para mostrar à sociedade quem é, como opera e para onde vai — já de olho nos 80 anos da atividade no Brasil.

Poucos setores do agro brasileiro evoluíram tanto em profissionalização quanto a aviação agrícola. Regulada, fiscalizada, altamente técnica e em permanente atualização, a atividade se consolidou como uma engrenagem essencial para a produção de alimentos, a proteção ambiental e a eficiência no campo. Ainda assim, talvez o maior desafio que se apresenta para 2026 não esteja apenas nos regulamentos, nas tecnologias ou nas discussões técnicas, legislativas ou jurídicas — mas na construção de confiança e empatia com a sociedade.

A aviação agrícola opera em um ambiente sensível, próximo das pessoas, das comunidades e das lavouras. Por isso, não basta fazer bem-feito: é preciso explicar, dialogar, ouvir e estar presente. A técnica precisa caminhar ao lado da transparência, e a alta qualificação deve vir acompanhada de uma comunicação clara, acessível e humana.

É nesse contexto que se fortalece a importância da governança no setor. Governança não é burocracia; é organização, clareza de responsabilidades e capacidade de transformar boas intenções em ações concretas. É garantir que o Sindag, o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag), seus conselhos, assessorias, empresas e profissionais associados falem a mesma língua, trabalhem de forma integrada e estejam alinhados a um propósito comum. Quando isso acontece, o setor ganha eficiência e credibilidade.

Sindag e Ibravag têm atuado para estreitar esse elo, tanto internamente quanto nas relações institucionais com órgãos públicos, fóruns do agro e espaços de decisão. Mas talvez o avanço mais relevante ocorra fora das salas de reunião: quando empresas aeroagrícolas e profissionais do segmento assumem, na prática, o papel de embaixadores do setor em suas comunidades. É no diálogo com vizinhos, produtores, técnicos e a imprensa local que a atividade se mostra, explica seus métodos e reforça seus compromissos.

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É nesse contato direto que mitos caem e a confiança se constrói. A sociedade não se convence apenas por normas ou discursos técnicos, mas por exemplos, presença e coerência. Isso exige envolvimento, preparo e empatia — sem renunciar à excelência técnica que caracteriza a aviação agrícola brasileira.

Para 2026, o setor aeroagrícola definiu oito prioridades estratégicas que orientam sua atuação. Entre elas estão a divulgação dos resultados da segunda etapa do estudo sobre a precisão das aplicações aéreas — com a participação de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em levantamentos realizados em diferentes regiões do País —, a publicação de uma nova legislação da aviação agrícola no âmbito do Ministério da Agricultura, construída com contribuições das entidades do segmento, e o acompanhamento de discussões envolvendo a atividade no Supremo Tribunal Federal (STF).

Também estão no radar o crescimento dos operadores de drones agrícolas, o início das atividades da Escola de Formação de Pilotos Agrícolas do Ibravag — elevando ainda mais o padrão de capacitação desses profissionais — e a aprovação de novos projetos estaduais de apoio à aviação agrícola, a exemplo da lei que entrou em vigor em 2025 no Rio Grande do Sul e do projeto que tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo. Soma-se a isso o processo de sucessão nos conselhos das entidades representativas. Juntos, esses pontos sintetizam uma agenda voltada à segurança jurídica, à qualificação profissional, à inovação e ao fortalecimento da governança.

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O setor entra em 2026 diante de grandes desafios: novas regulações, decisões jurídicas, crescimento dos drones, formação de profissionais e renovação de lideranças. Todos exigem maturidade institucional e unidade. Mas, acima de tudo, exigem que a aviação agrícola continue mostrando que é possível ser altamente técnica e, ao mesmo tempo, profundamente humana.

A aviação agrícola do futuro se constrói assim: com ciência, responsabilidade e diálogo. É dessa forma que seguirá conquistando seu espaço — não apenas no campo, mas também na confiança da sociedade.

Aliás, o ano começa também em clima de comemoração. De um lado, a expectativa por mais um Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg) de grandes proporções, marcado para agosto. De outro, o início da contagem regressiva de 12 meses de atividades especiais até a celebração dos 80 anos da aviação agrícola brasileira, em 2027 — um marco que convida o setor a olhar para sua história sem perder de vista os desafios do futuro.

Gabriel Colle, Engenheiro Agrônomo e Diretor-operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)

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