Pesquisar
Close this search box.
Pesquisar
Close this search box.

FERTILIZANTES: O RISCO SILENCIOSO DO AGRO BRASILEIRO

Dependência externa ameaça a segurança alimentar e exige ação urgente do país.

publicidade

O Brasil se consolidou como uma potência agroalimentar global. Produz, exporta e abastece mercados em escala crescente. No entanto, por trás dessa força, existe uma fragilidade estrutural que precisa ser enfrentada com urgência: a dependência de fertilizantes importados.

Em 2025, o Brasil consumiu cerca de 49 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo aproximadamente 42 a 44 milhões importadas, o que representa uma dependência externa entre 85% e 88%. O custo dessa dependência é elevado, variando entre US$ 20 e 25 bilhões por ano. Esses insumos representam até 40% do custo de produção da soja e podem chegar a 50% no milho, impactando diretamente o preço dos alimentos.

A produção nacional é claramente insuficiente. O país produz apenas cerca de 5% a 10% do nitrogênio, 40% a 50% do fósforo e apenas 2% a 5% do potássio que consome. No caso do nitrogênio, a situação é ainda mais estratégica, pois sua produção depende diretamente do gás natural, recurso disponível no Brasil, mas com custo elevado e limitações industriais que reduzem a competitividade da produção nacional. Isso significa que, além de depender de importações, o país também deixa de agregar valor a um insumo essencial para sua própria segurança alimentar.

Leia Também:  DADOS SÃO FERRAMENTA, DECISÃO É LIDERANÇA

O cenário internacional amplia esse risco. O mercado global de fertilizantes é concentrado e fortemente influenciado por fatores geopolíticos. Aproximadamente 45% das importações brasileiras vêm de regiões com algum grau de instabilidade. Em 2022, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou alta superior a 100% no preço da ureia. Em 2025, tensões no Oriente Médio voltaram a pressionar os preços. A vulnerabilidade é permanente e crescente.

Diante desse contexto, é inevitável uma reflexão estratégica: por que o Brasil ainda não trata fertilizantes como prioridade nacional?

Muito se discute atualmente sobre a exploração de terras raras, minerais relevantes para a indústria tecnológica. No entanto, é preciso dizer com clareza: terras raras não enchem barriga. A segurança alimentar deve estar no centro das decisões estratégicas de qualquer nação. Sem fertilizantes, não há produtividade; sem produtividade, não há alimento acessível.

Se o Brasil é potência na produção de alimentos, não pode continuar dependente dos insumos que sustentam essa produção.

O país possui reservas minerais, capacidade técnica e demanda consolidada. O que falta é uma política clara e efetiva. É urgente avançar em medidas como o incentivo à produção nacional de potássio, fósforo e nitrogenados, o uso estratégico do gás natural, a redução da burocracia e a criação de um ambiente seguro para investimentos.

Leia Também:  A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O FUTURO DA AGRONOMIA

Além disso, é fundamental diversificar fornecedores, fortalecer a indústria nacional e ampliar o uso de bioinsumos e tecnologias que aumentem a eficiência no uso de nutrientes.

O que hoje ocorre no Golfo Pérsico pode amanhã acontecer na Rússia, no Canadá ou em qualquer outro grande fornecedor global. O Brasil não pode continuar refém desse cenário.

Garantir fertilizantes é garantir produção. E garantir produção é garantir comida na mesa, estabilidade econômica e paz social.

O tempo de tratar esse tema como prioridade estratégica já passou. O momento de agir é agora.

Eng. Agr. Francisco Almeida

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade