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DO PRIMEIRO VOO AO PRÓXIMO HORIZONTE

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Em agosto, a aviação agrícola brasileira pousou em Goianápolis, no coração de Goiás, para mais uma edição do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil – o Congresso AvAg 2026. Durante três dias (de 18 a 20), empresários, pilotos, agrônomos, pesquisadores, autoridades, fabricantes e outros profissionais da cadeia aeroagrícola ajudaram o setor em um tema de casa que aprendeu a fazer muito bem em sua trajetória: olhar para o presente sem tirar os olhos do horizonte.

Foram 4,7 mil visitantes, de 12 países, mais de 200 marcas, tecnologias em exposição e negócios em 18 mil metros quadrados de estandes, debates em dois palcos, demonstrações aéreas e um recorde de 26 trabalhos acadêmicos no Congresso Científico. Números que ajudam a dimensionar a força de uma atividade que o Brasil construiu ao longo de quase oito décadas, hoje entre as maiores do mundo.

Mas talvez o mais simbólico do Congresso AvAg 2026 tenha acontecido justamente quando ele estava terminando. Ou melhor: quando parecia terminar.

Parafraseando — e desta vez contrariando — o folclórico ex-presidente do Corínthians nos anos 80 Vicente Matheus, o jogo não acabou quando terminou. Porque, ao fecharmos os portões em Goianápolis, já estávamos com a rota traçada para Orlândia, no interior de São Paulo, onde de 17 a 19 de agosto de 2027 será realizado o Congresso 80 Anos da Aviação Agrícola do Brasil.

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E aí vem a beleza dessa travessia.

Em 19 de agosto de 1947, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, um Muniz M-9 levantou voo para enfrentar uma infestação de gafanhotos. No comando estava o piloto Clóvis Gularte Candiota, tendo a bordo ainda o engenheiro agrônomo (e então chefe local do Ministério da Agricultura) Antônio Leôncio Fontelles. Ironicamente, foi o piloto quem embarcou na ideia do agrônomo, com uma geringonça que Fonteles encomendou de um funileiro local a partir de desenhos que viu do que já era feito em outros países – e foi acoplada ao Muniz pelotense.

Aquele voo não carregava apenas produto para proteger uma lavoura. Carregava, sem que seus protagonistas pudessem imaginar, o início de uma história nacional.

Oitenta anos depois, o encontro de Orlândia será realizado dentro de uma empresa aeroagrícola, a Tangará Aeroagrícola. É difícil pensar em cenário mais apropriado. A história será celebrada justamente onde ela continua acontecendo todos os dias: nos hangares, nas oficinas, no planejamento de cada missão, na formação das equipes, na tecnologia embarcada e no compromisso com segurança, eficiência e sustentabilidade.

E a comemoração já começou. Até agosto de 2027, o Sindag pretende percorrer essa história em uma agenda que deve alcançar as 24 unidades da Federação onde a atividade está presente. Reverenciar pioneiros, empresas, famílias, pilotos, mecânicos, agrônomos, pesquisadores e tantos personagens não é apenas olhar para trás. É reconhecer os corações, mentes e braços com os quais construímos o presente. Mais do que isso, a ideia é que, neste roteiro pelo País, a memória também ganhe horizonte.

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Por isso, na véspera do Congresso deste ano, em Goiânia, reunimos lideranças, especialistas e profissionais no Workshop Agenda 2037. O exercício foi simples de enunciar e desafiador de responder: que aviação agrícola queremos entregar quando essa atividade completar 90 anos?

As discussões apontaram para formação profissional, segurança jurídica, modernização operacional, integração entre aviões, helicópteros e drones, inteligência de dados, tecnologia de aplicação, gestão e comunicação com a sociedade. Em outras palavras: preparar pessoas e empresas para um futuro mais conectado, preciso, mensurável e transparente.

Assim, 1947, 2027 e 2037 deixaram de ser apenas datas em uma linha do tempo. Tornaram-se pontos de uma mesma rota.

Celebrar 80 anos será agradecer a quem abriu o caminho. Mas será também assumir a responsabilidade de continuar abrindo caminhos para quem virá depois. Porque uma história que merece ser lembrada é, sobretudo, uma história que ainda tem muito por voar.

Gabriel Colle – Engenheiro Agônomo, Diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)

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