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Capa da 22ª Edição

ACORDO MERCOSUL & EFTA

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Oito anos de idas e vindas diplomáticas terminaram no Rio de Janeiro, no último 16 de setembro, com a assinatura de um tratado que promete reposicionar o Mercosul no comércio internacional. O acordo de livre-comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, abre uma zona econômica que conecta cerca de 300 milhões de pessoas e um mercado que movimenta um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de R$ 23,4 trilhões, pelo menos 1,5 vezes maior que o PIB somado dos países do Mercosul.

A negociação se iniciou em 2017 e, depois de 14 rodadas, teve os termos finais acertados em junho de 2025, em Buenos Aires, quando a Argentina ocupava à presidência rotativa do Mercosul. Atualmente, o Brasil é o presidente pro tempore do grupo, que reúne como estados partes a Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela (atualmente suspensa) e como estados associados Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.

Na prática, o texto prevê que mais de 97% das exportações entre os dois blocos passem a ter redução ou mesmo eliminação de tarifas, movimento que reposiciona as relações entre a América do Sul e países europeus que, embora fora da União Europeia, têm elevado poder de compra e exigência regulatória. A expectativa é de que esse pacto não apenas aproxime os mercados, mas também pressione outras negociações ainda travadas, como a do Mercosul com a própria UE.

O exemplo da Suíça dá a dimensão do que está em jogo: o governo daquele país calcula que até 95% de suas exportações destinadas ao Mercosul ficarão livres de tarifas ao final do período de transição. Isso representará, segundo estimativas oficiais, uma economia anual próxima de R$ 980 milhões para empresas suíças, abrindo espaço para ampliar o intercâmbio de produtos de alto valor agregado, como máquinas, medicamentos e insumos de precisão.

Do lado brasileiro, os ganhos também são significativos. Estudos preliminares apontam um impacto direto de R$ 2,69 bilhões sobre o PIB nacional, acompanhado de uma possível expansão de até 10% nas trocas internacionais. Em termos práticos, isso significa que quase todo o valor exportado hoje pelo Brasil à EFTA, cerca de 99% poderá ser beneficiado com condições de livre comércio. Atualmente, a pauta brasileira para esses países inclui ouro, café, soja, carnes e produtos químicos, enquanto as importações vêm principalmente de máquinas, petróleo, gás e frutos do mar, especialmente da Noruega.

Agronegócio é o maior beneficiado – O tratado inclui regras de origem claras, o que significa que produtos processados ou transformados no Brasil terão vantagem adicional ao entrar nos países da EFTA. Isso favorece desde frigoríficos que exportam cortes especiais até cooperativas de café que investem em certificações e denominações de origem. A meta não é apenas vender mais, mas vender melhor, com prêmios por qualidade e diferenciação.

Para o produtor rural, os reflexos vão muito além dos grandes números. O acesso facilitado aos mercados suíço e norueguês significa valorização para produtos de alto valor agregado e certificação sanitária rigorosa, segmentos em que o Brasil já se destaca:

  • Carne bovina e suína: cortes nobres, miúdos e produtos industrializados terão mais facilidade de chegar ao consumidor europeu disposto a pagar preços elevados. A Noruega, com forte consumo de proteína animal, é um destino estratégico.
  • Café e soja: commodities já presentes na pauta, mas que podem ganhar prêmios ao atender exigências de sustentabilidade e rastreabilidade cada vez mais valorizadas no bloco europeu.
  • Frutas tropicais e cajuína: ainda com pouca expressão nos números totais, podem conquistar espaço em nichos de alto valor, principalmente na Suíça, onde o consumo de alimentos diferenciados é tradição.
  • Produtos florestais e bioenergia: a EFTA tem metas ambientais rígidas, e o Brasil pode ser parceiro natural na oferta de madeira certificada, etanol e biocombustíveis.

O tratado também cria condições para diversificação e previsibilidade. O Brasil, que desde agosto vem enfrentando o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, passa a contar com uma rota alternativa em mercados de renda alta e grande apetite por alimentos de qualidade.

Para o setor agropecuário, a expectativa é de fortalecimento nas vendas de carnes bovina e de frango, café de origem controlada, frutas tropicais, sucos e produtos florestais. Esses nichos, já valorizados pela demanda europeia por rastreabilidade e sustentabilidade, tendem a encontrar no novo acordo um espaço privilegiado de expansão.

No campo diplomático, a assinatura em solo brasileiro tem caráter simbólico. Representa a capacidade do Mercosul de concluir um grande acordo comercial num momento em que as tratativas com a União Europeia permanecem travadas por divergências em torno de cláusulas ambientais e subsídios agrícolas. A aproximação com a EFTA, nesse sentido, fortalece a posição sul-americana e sinaliza ao mundo que a região está aberta a regras modernas de comércio.

O tratado também prevê mecanismos de cooperação em áreas como propriedade intelectual, serviços e compras governamentais, ampliando o escopo além das trocas de bens. Para pequenas e médias empresas brasileiras, esse capítulo pode abrir portas no fornecimento de tecnologias, softwares e até serviços de engenharia. Já para a EFTA, o acesso facilitado a matérias-primas e alimentos amplia a segurança de suprimento em tempos de instabilidade logística global.

Em resumo, o acordo Mercosul–EFTA inaugura uma fase promissora para o comércio brasileiro, mas não elimina os desafios, como custos logísticos, exigências sanitárias e a necessidade de rastreabilidade cada vez mais rigorosa, mas cria condições concretas para que produtores e exportadores ganhem escala em mercados de alto poder aquisitivo. Ao mesmo tempo, projeta a América do Sul como parceiro estratégico num tabuleiro em que o comércio internacional se torna cada vez mais disputado.

Com a assinatura, inicia-se a fase de ratificação parlamentar e definição dos cronogramas de implementação. Será um processo gradual, mas com potencial de reposicionar a pauta exportadora brasileira, reduzindo a dependência de alguns mercados e abrindo espaço em países que, até aqui, mantinham barreiras tarifárias elevadas. Para o agro e para a indústria, trata-se de uma oportunidade rara: um acordo que combina escala, previsibilidade e demanda qualificada, pronto para ser explorado por quem estiver preparado.

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Especialistas estimam que o fluxo comercial entre Mercosul e EFTA pode dobrar até 2030, consolidando-se como uma parceria duradoura. Para o agro brasileiro, a mensagem é clara: há mercado para quem investir em qualidade, inovação e rastreabilidade. Produtos diferenciados, capazes de atender consumidores exigentes e dispostos a pagar mais por segurança alimentar e sustentabilidade, terão espaço privilegiado.

OLHAR DA EFTA NO ACORDO

Nas capitais da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) o tratado com o Mercosul é recebido como um passo pragmático: previsibilidade regulatória, menos burocracia e redução de tarifas em mais de 97% do comércio entre os blocos.

Os quatro países da Efta reúnem população de 15 milhões de pessoas e PIB de US$ 1,4 trilhão. Em termos de PIB per capita, Liechtenstein é considerado o segundo país mais rico do mundo, na faixa de US$ 186 mil; a Suíça, o quarto com US$ 104,5 mil; a Islândia, o sexto com US$ 87,2 mil; e a Noruega, o sétimo, com US$ 86,6 mil. O PIB combinado da zona econômica Mercosul (US$ 3 trilhões) + EFTA soma algo em torno de US$ 4,4 trilhões.

Na prática, isso significa economias de milhões de francos e euros por ano. Só no caso da Suíça, as trocas com o Brasil somaram cerca de US$ 400 milhões em 2025, com saldo positivo para os suíços. Cortar tarifas de 1% a 3%, como previsto, representa alívio direto para importadores e maior competitividade de setores estratégicos como máquinas, relógios, fármacos e alimentos processados. Estudos locais estimam aumentos de até 8,7% nas importações agrícolas e quedas de preços em torno de 3% após a vigência de acordos semelhantes.

Na Noruega, a leitura é dupla. Economicamente, exportadores de petróleo, gás e pescados ganham com acesso preferencial ao Mercosul. Politicamente, Oslo busca acordos fora da União Europeia para não perder espaço em um mundo mais protecionista.

A imprensa europeia destaca também a geopolítica: a EFTA saiu na frente enquanto a negociação entre Mercosul e União Europeia continua emperrada em Bruxelas. Agricultores franceses e ambientalistas seguem resistindo, temendo concorrência de carnes e grãos sul-americanos e acusando os tratados de “importar desmatamento”.

O acordo também levanta resistências no outro lado do Atlântico. Setores agrícolas da Europa temem que a entrada de produtos sul-americanos com tarifas mais baixas pressione os preços internos de carne e grãos, especialmente em países onde a atividade rural tem grande peso econômico, como a França. Nessas regiões, produtores alertam para perda de competitividade diante do menor custo da produção no Mercosul.

Ambientalistas e partidos verdes reforçam outra frente de críticas: sustentabilidade. Questões como desmatamento, uso de defensivos agrícolas e padrões sanitários ainda são apontados como fragilidades. Para esses grupos, mesmo as cláusulas “verdes” já incluídas em negociações semelhantes não garantem fiscalização efetiva. O temor é que o tratado abra espaço para importações mais baratas, mas sem plena conformidade com as regras ambientais e sociais aplicadas dentro da União Europeia.

DESAFIOS NO CAMINHO

Apesar das vantagens, o produtor brasileiro precisa ficar atento a alguns pontos:

  • Exigências ambientais e sanitárias: os países da EFTA têm regras rígidas e fiscalização intensa. Isso significa mais custos com certificações e rastreabilidade.
  • Infraestrutura interna: portos saturados, estradas precárias e logística cara ainda limitam a capacidade brasileira de competir plenamente.
  • Concorrência regional: Argentina, Uruguai e Paraguai também participam do tratado e disputarão espaço em segmentos semelhantes, como carne e grãos.

Esses desafios reforçam a necessidade de o Brasil investir em logística, inovação e políticas de apoio ao produtor para aproveitar todo o potencial do acordo.

Impactos regionais no Brasil

O efeito do tratado não será homogêneo. Alguns estados devem sentir impacto maior:

  • Mato Grosso e Goiás: líderes na produção de soja e milho, poderão ampliar exportações de grãos e derivados.
  • Minas Gerais e São Paulo: devem se beneficiar no café, sucos e produtos florestais.
  • Região Sul: carnes bovina e suína podem conquistar espaço no mercado norueguês.
  • Nordeste: frutas e mel ganham competitividade em nichos de alto valor.

Essa diversificação geográfica é relevante porque mostra como o acordo pode irrigar diferentes cadeias e regiões do Brasil.

O QUE ISSO MOSTRA PARA O BRASIL

O acordo com a EFTA manda uma mensagem clara: se quiser entrar em mercados exigentes e de alto valor, o Brasil precisa mostrar mais que preço competitivo. Padrões sanitários, rastreabilidade e conformidade ambiental deixaram de ser regulagem extra, são requisitos básicos. Quem não cumprir pode ver mercados fechados ou sofrer barreiras técnicas irreversíveis.

Além disso, o pacto não é só comercial: é demonstrativo. Ele serve como benchmark para negociações futuras, inclusive com a União Europeia e com outros parceiros globais. Se os países da EFTA conseguiram concluir esse negócio, aumentam-se as pressões políticas para que Bruxelas avance.

Segundo o Governo do Brasil, o acordo vai aumentar o PIB do Brasil em R$ 2,69 bilhões até 2044.

Aqui estão vantagens e riscos lado a lado:

  • Regras claras e exigentes — Estabilidade regulatória, rastreabilidade e cumprimento ambiental já são padrões mínimos. Empresas que não se adaptarem correm o risco de ficar fora.
  • Modelo de referência — O padrão da EFTA pode servir de base para negociar com UE, EUA, Ásia. Quem investir em sanidade, certificações “verdes” e práticas sustentáveis sairá na frente.
  • Pressão diplomática — A EFTA assinando agora enquanto o Mercosul-UE ainda empaca mostra um desequilíbrio de prazos. Esses atrasos na UE aumentam o custo político de continuar protelando decisões.
  • Portas premium abertas — Com tarifas mais baixas e regras de origem claras, produtos de valor agregado ganham competitividade: carnes nobres, café especial, frutas processadas, óleos, farelos com rastreabilidade. Agora esses produtos têm chance maior de entrar nos mercados exigentes.
  • Concorrência reorganiza o tabuleiro — Exemplos globais mostram que fornecedores se reposicionam: enquanto um país exporta mais para EUA, abre espaço para que o Brasil atue na Ásia e Oriente Médio. O importante é espalhar risco, não depender de um único destino.

O ALCANCE DO TRATADO

  • Mercosul
    • Mais de 97% das exportações entre os blocos terão tarifas eliminadas ou reduzidas.
    • Na prática, quase todo o comércio entre Mercosul e EFTA fluirá com menos barreiras.
  • Impacto para a Suíça
    • Até 95% das exportações suíças ao Mercosul ficarão livres de tarifas ao fim da transição.
    • Economia anual estimada: US$ 180 milhões (≈ R$ 974 milhões).
  • Efeito para o Brasil
    • Quase 99% do valor exportado para a EFTA ficará sob livre comércio.
    • Aumento da competitividade e consolidação de mercados já conquistados.
    • Maior abertura para novos nichos de alto valor agregado.
  • Principais produtos do Brasil para a EFTA
    • Ouro
    • Café
    • Soja
    • Carnes
    • Produtos químicos
  • Principais produtos da EFTA para o Brasil
    • Máquinas
    • Petróleo
    • Gás
    • Pescados (com destaque para a Noruega)
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OPORTUNIDADES AOS PEQUENOS PRODUTORES

Embora os holofotes estejam sobre as grandes commodities, o acordo abre oportunidade também para os agricultores que produzem mel, pescados e produtos da agricultura extrativista, como castanhas, que podem ganhar competitividade.

A lógica é simples: com tarifas mais baixas e preferência por produtos sustentáveis, a EFTA cria nichos que o Brasil pode ocupar por meio de cooperativas organizadas e associações regionais.

Esse é um ponto importante porque conecta o tratado internacional com realidades locais, permitindo que pequenos produtores também participem da dinâmica exportadora.

O Plano Safra da Agricultura Familiar em 2025/26, apesar do Tesouro Nacional ter destinado apenas R$ 13,5 bilhões para a equalização de juros — uma queda de 17,5% em relação à safra anterior. Esse valor destina à equalização de juros no Plano Safra como subsídio dos juros para as linhas de créditos dos produtores rurais classificados na agricultura familiar.

As taxas de juros para os pequenos produtores variam entre 0,5% e 8% ao ano, dependendo da linha de financiamento. E para produtos da cesta básica (arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite) a taxa de financiamento é mantida em 3% ao ano; se orgânico ou agroecológico, cai para 2%

Essas linhas de créditos com juros subsidiados a sua maior parte são destinadas para a produção de alimentos básicos consumidos no país. Segundo levantamentos do IBGE, do MDA e da Conab, os principais produtos são:

    • Feijão – mais de 70% da produção nacional vem da agricultura familiar.
    • Mandioca – cerca de 80% da produção.
    • Milho – participação relevante, especialmente nas regiões Sul e Nordeste.
    • Arroz – presença forte no Sul e em áreas irrigadas.
    • Café – especialmente no Espírito Santo e em Minas Gerais, muitos produtores familiares.
    • Leite – responde por mais da metade da produção nacional.
    • Hortaliças e verduras – base da oferta nos cinturões verdes das cidades.
    • Frutas – banana, laranja, uva, maçã, melancia, melão, caju, entre outras.
    • Ovos – forte participação dos pequenos produtores.
    • Carne de aves e suínos – destaque na região Sul, geralmente em regime integrado com agroindústrias.
    • Mel – importante em regiões do Nordeste e Sul.
    • Produtos agroecológicos e orgânicos – cada vez mais presentes, ligados a nichos de mercado.

UE & MERCOSUL

Além do impacto econômico, o acordo entre Mercosul e EFTA trouxe visibilidade às negociações que estavam em curso com a União Europeia (UE). Para não ficar atrás, Bruxelas acelerou o ritmo das tratativas com o Mercosul. Em 19 de setembro de 2025, o ministro Mauro Vieira anunciou que as negociações foram concluídas — ou seja, os dois blocos chegaram a um consenso sobre os termos do acordo. No entanto, a assinatura oficial ainda depende da conclusão dos debates no Conselho Europeu e da tradução do documento para todas as línguas dos países da UE.

Segundo Vieira, o Mercosul já está pronto para assinar, e a expectativa é que isso aconteça em dezembro de 2025, durante a cúpula dos presidentes do bloco sul-americano.

A notícia teve forte repercussão no mercado internacional. Em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que vem afetando a economia global, o acordo representa um novo impulso para os países do Mercosul, ao garantir acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores, com eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral ao longo dos próximos 15 anos.

O Mercosul passará a integrar o mercado da União Europeia, que reúne 27 países-membros e possui um PIB conjunto superior a US$ 17 trilhões — cerca de 17% da economia mundial. Juntas, as duas regiões formarão uma zona de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas e 17% do PIB global.

Negociado desde 1999, o acordo representa para o Mercosul uma ampliação do acesso a produtos industriais europeus, como máquinas, equipamentos eletrônicos e veículos, além de serviços como telecomunicações e finanças. Para a União Europeia, abre espaço para a entrada de produtos agrícolas sul-americanos, como carne bovina, soja e etanol, além de matérias-primas estratégicas para a transição energética, como lítio e níquel.

Estudos apontam que o tratado pode aumentar o PIB em até US$ 12 bilhões para os países do Mercosul e US$ 16 bilhões para a UE, com crescimento expressivo no comércio bilateral, beneficiando empresas e consumidores de ambos os lados.

CONCLUSÃO

A assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e EFTA, e, em dezembro com a UE, representa mais do que um avanço comercial: é um gesto político e estratégico que reposiciona a América do Sul no tabuleiro global. Ao conectar-se a economias altamente desenvolvidas e exigentes, o bloco sul-americano sinaliza maturidade diplomática e capacidade de adaptação às novas exigências do comércio internacional.

Para o Brasil, especialmente, o tratado abre portas para diversificação de mercados, valorização de produtos com alto padrão de qualidade e fortalecimento de setores como o agronegócio, a indústria de transformação e os serviços especializados. A redução de tarifas e o alinhamento regulatório com países do ETFA e UE criam um ambiente fértil para inovação, competitividade e crescimento sustentável.

O desafio agora é transformar os acordos em potencial realidade. A fase de ratificação e implementação exigirá articulação política, investimentos em infraestrutura e capacitação dos setores produtivos. Mas o caminho está traçado: com planejamento e visão estratégica, o Brasil e seus vizinhos podem transformar esses acordos em um divisor de águas para a inserção internacional da região.

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